A jornalista Lia Nogueira será, na próxima legislatura, uma das duas mulheres eleitas entre 24 deputados (22 homens e duas mulheres) na Assembleia Legislativa.
A nova deputada não tem vergonha de falar de suas origens e o título da matéria partiu de uma resposta da própria vereadora de Dourados, agora eleita deputada estadual. Indagada se foi surpreendida pela eleição, ela falou um pouco de sua história de vida, das lutas como babá, empregada doméstica, cabo eleitoral, até a vitória do último dia 30.
“Na minha vida sempre tive muito foco, pé no chão. Sei de onde eu vim. Costumo brincar que é da quebrada. Não tenho vergonha da minha história. Vim da comunidade, de uma criação muito humilde, mas sempre soube quem eu era, de onde eu vim. Sei também das minhas raízes e princípios e foi isso que acabou por trazer essa vitória”, avaliou.
A deputada eleita conta que apesar da velocidade da ascensão política, trilhou um caminho de muitas dificuldades e lutas. “Na minha vida foi tudo muito difícil. Tudo eu tive que cavar oportunidades. Nada na minha vida veio na mão. Sempre tive que construir aquilo que queria, que acreditava. Trabalhei de babá, de diarista, fui cabo eleitoral. Hoje eu sou uma das mulheres do Estado na política”, lembrou.
Lia ficou de suplente na eleição em 2016, mas o destino lhe surpreendeu com afastamento e prisão de vereadores em Dourados. Ela assumiu o mandato por nove meses, tempo suficiente para mostrar serviço e ser eleita, em 2020, como a segunda mais votada, atrás do primeiro por uma diferença de apenas 14 votos.
Agora, nova vitória, com sabor especial de ser eleita, em sua maioria, por mulheres. Ela defende a luta por mais espaços para mulheres e agradece pelo apoio conquistado, deixando de lado uma rivalidade que ainda existe entre as próprias mulheres.
“Nós mulheres precisamos buscar este protagonismo. O lugar da mulher é onde ela quiser. Só que as mulheres ainda não se atentaram pra isso. O lugar da mulher é em função de poder e a política é um deles. O problema é que a maioria das mulheres não vota em mulher e na eleição a gente pôde mostrar algo diferente aqui em Dourados: mais de 12 mil votos e a maioria do eleitorado, as mulheres. Não me enxergaram como em uma competição, mas alguém para se inspirar: uma mulher guerreira, combativa, que luta, que briga, que é mãe, que é pai, que as vezes são mulheres provedoras do seu lar e que também têm três, quatro funções, e não deixa a peteca cair”, analisou.

O trabalho de Lia é retratado diariamente na rede social. Nesta semana, ela verificou irregularidades na saúde, cobrou melhorias em uma praça pública que se encontra abandonada e distribuiu lanche para acompanhantes e funcionários de unidades de saúde, no Grupo Mão Amiga.
Em Dourados, mesmo na base do prefeito, optou por um mandato mais combativo e pretende levar esta marca para a Assembleia Legislativa, ainda que seja do mesmo partido do governador eleito, Eduardo Riedel (PSDB).
“A gente construiu esse projeto juntos. Quando o governador Reinaldo Azambuja me chamou para o PSDB, já sabia do meu jeito e sempre respeitou essa forma que tenho mais combativa, incisiva. Aquilo que for projeto que vai beneficiar a população do meu Estado, em especial da minha cidade, que a minha bandeira que defendo é a Grande Dourados, a gente vai aprovar. Agora, aquilo que na minha concepção não for bom para o povo, vou chegar e falar: eu não quero votar desta forma porque meu pensamento não é esse. Creio que vai dar para fazer uma composição bem bacana”, concluiu.
