Após ameaça de cassação, vereador diz que não é contra democracia e cobra Bolsonaro

O vereador Sandro Benites (Patriota) se pronunciou nesta terça-feira (8), após fala polêmica em frente ao Comando Militar do Oeste, que pode até custar seu mandato. O vereador leu um texto na palavra de lideranças na Câmara, onde disse não ser contra a democracia.

“Eu queria dizer que respeitamos toda democracia e liberdade, assim como toda manifestação ordeira e pacífica. Sem que haja qualquer tipo de obstrução de vias. Quero deixar claro que não concordamos, nem incentivamos ou compactuamos com nenhum ato fora da lei e nenhum tipo de violência. Nosso clamor é para que o povo possa ser ouvido, que a nossa chamada chegasse até as autoridades, já que a oportunidade não havia se manifestado”, declarou.

Em seguida, cobrou posição do presidente Jair Bolsonaro em relação ao resultado das urnas. “O presidente Jair Bolsonaro, ele tem duas opções. Reconhecer, de uma forma definitiva, parabenizando o adversário, imediatamente, ou então, novamente, pessoas dependuradas à frente de caminhões, pessoas atropeladas vão continuar acontecendo no nosso País. Enquanto o líder máximo da direita não se manifestar de forma contundente”, declarou, sem dizer a outra opção.

Sandro disse que talvez tenha sido mal interpretado que é contra a democracia. “Pelo contrário, precisamos neste momento de serenidade, responsabilidade e respeito. E essa população que está ali na frente, acredita que houve algo errado nas urnas. Se houve, deve ser apurado imediatamente. E a nação brasileira precisa estar ciente disso. Caso contrário, reconhecendo a derrota e parabenizar o opositor”, finalizou.

Fala polêmica

Sandro Benites causou polêmica ao usar o microfone durante manifestação em frente ao Comando Militar do Oeste na quarta-feira (2), feriado do Dia de Finados. Benites comandou um pedido ao general Davi, solicitando que os manifestantes repetissem tudo o que falava, e fez duras acusações ao presidente eleito, Luís Inácio Lula da Silva (PT).

“General Davi. Nós, campo-grandenses, patriotas, humildemente pedimos socorro. Nos livre deste mal. E juntos não aceitamos ser governados por um ladrão. Por um narcotraficante. Nos ajude general. É o que pedimos hoje, em nome da pátria, Brasil, acima de tudo, e Deus acima de todos”, declarou o vereador.

Cassação

O vereador Professor André Luís (Rede) protocolou o pedido de cassação na Câmara de Campo Grande.

“Entendo que o ato cometido por ele e outros é um crime contra democracia. É o crime mais grave que pode existir no regime democrático. Não prevê direito de retratação.  Isso acontece quando é crime contra a honra. Isso é um crime contra a sociedade e tem que ser punido exemplarmente”, avaliou.

O vereador explica  que  já há decisão favorável no País contra os atos, o que favorece medidas mais contundentes. “É coisa séria e não pode ser tratada como brincadeira.  A democracia está em risco. Não é porque o movimento não é tão abrangente, que não tem que ser detido. Nenhum movimento começa imenso. Ele começa pequeno. O que estamos vendo é uma articulação em nível nacional  para acabar com a democracia no País. Isso é inadmissível”, analisou.

Foto: divulgação/Câmara

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