O processo da Polícia federal que afastou três conselheiros do Tribunal de Contas do Estado revelou a atuação de um deles, Ronaldo Chadid, para favorecer o marido da sobrinha em licenças ambientais. Segundo a investigação, Chadid ajudava Maicon Thomé Marins a conseguir licenças com o Governo do Estado. Maicon é casado com a filha do irmão do conselheiro, o ex-vereador José Chadid, com a ex-vice-prefeita de Campo Grande, Marilu Guimarães.
A Polícia Federal interceptou várias interferências do conselheiro no Governo do Estado para licenças ambientais em Navirai, Bataguassu e Jardim, que na época era comandada por Guilherme Monteiro, filho de outro conselheiro, Márcio Monteiro. Maicon estaria com dificuldade para conseguir a licença e Chadid entra em ação para pressionar o governo.
Em uma das conversas, Maicon revela que está com dificuldade no Imasul e Chadid liga imediatamente para o então Secretário de Fazenda, Felipe Martins, para cobrar uma posição. Felipe responde que cobrou uma posição e retorna no dia seguinte.
A técnica do Imasul reclama da maneira como querem a liberação da licença, que seria um cheque em branco para a empresa, por pressão de superiores.
“Na resposta enviada por ANDRE (presidente do Imasul) para CHADID, o presidente do IMASUL informou que a empresa a qual MAICON representa e para a qual CHADID está fazendo pressão junto à Administração Pública, não tinha recursos para o ‘projeto adequado’ do investimento e ‘não tem para custear agora’. CAMILA (servidora do Imasul) diz ter encaminhado e-mail da CODEVALE (empresa no processo de licença), no qual ‘praticamente desenhou’ o que é preciso ser providenciado. CAMILA ainda diz ter colocado ‘uma pessoa com dedicação total no caso’, mas que espera pelo menos a contrapartida dos requerentes”, diz parte do processo.
O conselheiro então se oferece para ir junto com o marido da sobrinha até o Secretário de Meio Ambiente, Jaime Verruck, para tratar sobre a pressão para liberação da licença frente à resistência que estariam sofrendo da parte técnica do IMASUL.
Segundo a polícia, são apresentadas várias outras mensagens que demonstram que Ronaldo Chadid, aproveitando-se do cargo de Conselheiro do TCE/MS, auxilia seu sobrinho de consideração, pressionando servidores da alta cúpula da área ambiental do Governo de Mato Grosso do Sul em proveito das empresas que ele representa, detentoras de contratos com prefeituras do interior do Estado. A polícia avalia que há ocorrência de corrupção, que demanda o aprofundamento das investigações a respeito.
Operação
Operação da Polícia Federal afastou três conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE). O presidente, Iran Coelho Neves, Ronaldo Chadid e Valdir Neves estão suspensos por 180 dias.
As investigações apuram a indevida contratação de empresa por meio de licitações fraudulentas, utilizando-se de conluio prévio entre as pessoas jurídicas vinculadas participantes do certame.
Os investigados utilizavam- se de diversos artifícios para frustrar o caráter competitivo da licitação, incluindo rapidez incomum na tramitação do procedimento, exigência de qualificação técnica desnecessária ao cumprimento do objeto, contratação conjunta de serviços completamente distintos em um mesmo certame e apresentação de atestado de capacidade técnica falsificado.
Através da análise do material apreendido por ocasião da Operação Mineração de Ouro, bem como dos dados obtidos no bojo da investigação, com as quebras de sigilos bancários, fiscais e telemáticos, foi possível apurar que, para dissimular a destinação dos recursos debitados nas contas da empresa contratada, foram criados diversos mecanismos de blindagem patrimonial, antes de serem creditados em contas do destinatário final.
