Indicada do Estado para ministério quer a mulher como sujeito de direito e não apenas como centro da família

Cida Gonçalves, moradora de Mato Grosso do Sul há 40 anos, será a responsável pelo ministério da maioria da população brasileira, o Ministério das Mulheres. A psicóloga, que já atuou na gestão passada de Luís Inácio Lula da Silva, volta agora como ministra em busca de mais protagonismo para as mulheres.

“Queremos a mulher como sujeito de direito e não como simplesmente o centro da família. Respeitamos a família e queremos que as famílias continuem sendo peça fundamental na educação do País, mas as mulheres têm que ser cidadãs, estudar, serem vistas dentro da família como um ser humano que merece efetivamente respeito. Com isso, vai diminuir a violência contra mulheres, a discriminação. São pontos importantes da dinâmica que queremos colocar”, detalhou Cida ao InvestigaMS.

Cida defende autonomia econômica e financeira; política de cuidado, com a contribuição do Estado, rediscutindo o tempo de uso das mulheres, o trabalho não remunerado; empoderamento das mulheres, seja nos organismos de políticas para mulheres municipais ou estaduais, e dos partidos, com mais mulheres candidatas e assumindo mais cargos.  

“Que estejam como centro da política pública brasileira, tenham valorização do trabalho, na forma de existir. São questões que são super importantes no processo de reconstrução da democracia no país. Fazer com que 52% da população esteja efetivamente passando por este processo de construção da democracia com cidadania e igualdade”, declarou.

A nova ministra participou da equipe de transição e lamenta a redução do investimento.  Ela explica que em 2016, quando deixou o governo, tinha R$ 360 milhões e que hoje são destinados menos de 10% deste valor, R$ 23 milhões.

“O País que estamos encontrando é um país de terra arrasada, que investiu nos ricos e abandonou os pobres. País que criou ódio, misoginia, aumentou número de feminicídio. Armou a população sem ela estar preparada para estar armada. Vamos reconstruir a paz, buscar a solidariedade, felicidade do povo brasileiro. É um processo a longo prazo, mas com política de inclusão social, de voltar o trabalho, fazer com que a população tenha emprego, renda, condição e dignidade de comer churrasco no final de semana, ir ao cinema, comprar um livro”, pontuou.

Cida promete empenho no enfrentamento à violência contra a mulher, com retorno do telefone 180 como serviço de atendimento nacional. “Para que atenda com informação, orientação e denúncia, que as mulheres saibam que têm ali um espaço de acolhida. Vamos redefinir a estrutura do ‘programa mulher viver sem violência’, com a Casa da Mulher Brasileira; políticas como das unidades móveis para atender mulheres do campo, das florestas, das águas, ribeirinhas, no MS temos as pantaneiras. Importante serem incluídas na política e trabalhar a perspectiva para as diversas formas de violências: sexual, política contra as mulheres, contra mulheres negras, indígenas”, concluiu.

Foto: Divulgação

Deixe uma resposta