Depois do questionamento de advogados e reportagem do InvestigaMS, o Conselho da 4ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de Dourados e Itaporã se pronunciou sobre a eleição de Virgílio Bertelli como vice-presidente da seccional, em substituição a Fabiana Corrêa. A categoria vinha questionando o motivo da substituição da antiga presidente, o que foi feito nesta segunda, em nota na rede social.
Segundo o conselho, a vice-presidente anterior renunciou ao cargo, depois de ter feito acusações contra o presidente da subseção, o que levou a reuniões internas e com advogados para exposição dos acontecimentos.
“Em uma reunião do Conselho, o órgão rejeitou as acusações feitas, pois verificou que não condiziam com a verdade, pedindo inclusive uma retratação da Vice-Presidente, que em discordância com a posição do colegiado, apresentou expressa e formalmente sua renúncia”, afirmou.
Segundo o conselho, o assunto foi tratado internamente para não expor ninguém até a resolução da questão. “O Conselho como órgão máximo da Subseção tem a certeza que foi uma excelente escolha que engrandecerá e muito bem representará toda a advocacia de Dourados e Itaporã, desejando sucesso e informando que apoia o Presidente o Vice-Presidente e toda a diretoria, que vêm realizando uma excelente gestão, contribuindo para a advocacia e para toda a sociedade”, afirma.
Outro lado
A ex-vice-presidente, Fabiana Corrêa, comentou o post nesta segunda-feira, reafirmando que renunciou porque se recusa a fazer parte do que agora as pessoas podem ver.
“A publicação por si só mostra um pouco do que acontece nesta gestão e como acontece. Ao decidir renunciar, sabia do preço alto que poderia pagar com esse tipo de narrativa criada, mesmo assim foi a minha melhor decisão, pois precisava sair daquele ambiente hostil e jamais corromper meus princípios”, postou.
A ex-vice-presidente ressaltou que o tempo e o poder da verdade varão o trabalho e agradeceu o apoio e carinho dos amigos. “Continuo bem, forte, confiante, de consciência muito tranquila e aliviada por não estar mais lá. Certas situações e pessoas simplesmente não valem nosso esforço e dedicação, mas servem de aprendizado. Que seja feita sempre a vontade de Deus e que esta experiência ruim faça parte de um propósito maior Dele. O meu caráter, trajetória profissional e história de vida falam por mim”, concluiu.
Perseguição e renúncia
A curiosidade sobre a saída aumentou depois que a então vice-presidente fez um post, também na rede social, no final do ano passado, comunicando a renúncia ao cargo, reclamando do autoritarismo da presidência. “Desde o congresso da OAB, ocorrido em maio deste ano, o presidente da subseção tem tomado decisões autoritárias e injustas, não condizentes com as suas promessas de campanha, ao arrepio dos interesses da advocacia e dos valores institucionais, em desrespeito aos regimentos, estatuto e Código de Ética da OAB”, relatou.
A advogada disse que por questionar as atitudes incoerentes do presidente passou a ser duramente alijada, o que “prejudicou consideravelmente o trabalho” que estava desenvolvendo, tornando insustentável permanecer na vice-presidência da Ordem.
“Foi difícil a decisão, mas quero que saibam que durante meses eu fiz tudo o que podia e que estava ao meu alcance. Não posso mais compactuar com essa situação e permanecer de mãos atadas, sob pena de falhar com as pessoas que acreditam em mim. Diante de tudo isso, é com profundo pesar e consternação, e pedindo minhas desculpas a todos que confiaram seu voto em mim, que abdico do cargo”, pontuou à época.
