Vereadores abrem porteira e questionamento com medalhas em nome de homenageados vivos

Uma nova modalidade de homenagem criada na Câmara de Campo Grande, com medalha que leva nome de autoridades vivas, abriu a porteira e já levanta questionamentos sobre a legalidade dos projetos.

O primeiro a iniciar a modalidade foi o vereador Ronilço Guerreiro, com criação da “Medalha do Mérito Legislativo Empresário Sérgio Longen” para empresários.

O projeto abriu as portas para nova medalha, desta vez do vereador Professor Riverton (PSD) para sua madrinha política, a senadora Tereza Cristina (PP).

“Fica instituída a Medalha Tereza Cristina de Liderança no Agronegócio, a ser concedida
anualmente a líderes empresariais, pesquisadores ou profissionais que se
destacaram por sua liderança e visão estratégica no âmbito do agronegócio, promovendo o crescimento e a modernização do setor”, diz o projeto.

A concessão da Medalha será proposta mediante Decreto Legislativo, acompanhado do currículo da pessoa homenageada
e justificativa por escrito, sendo responsabilidade de cada vereador, indicar dois agraciados por ano.

A criação da medalha levantou questionamentos jurídicos à reportagem sobre a legalidade do projeto que homenageia, com recurso público, personagens que estão vivos.

O questionamento tem como base a lei 6.454, de 1977, que veda a inscrição dos nomes de autoridades ou administradores em placas indicadoras de obras ou em veículo de propriedade ou a serviço da Administração Pública direta ou indireta.

Indagada sobre a legalidade, a Procuradoria da Câmara informou que a citada lei serve para impedir nomes em obras públicas, não vedando a homenagem com medalha. Todavia, o presidente da Câmara, vereador Carlão (PSB), informou que vai consultar o Tribunal de Contas do Estado (TCE) para averiguar possível impedimento legal.

A medalha Sergio Longen já foi entregue por vereadores. Já a medalha Tereza Cristina foi aprovada na semana passada e ainda será entregue na Casa.

Foto: divulgação

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