Grupo de Puccinelli suspende eleição e filiados avaliam ir à justiça contra imposição

Depois de André Puccinelli fracassar na missão de cancelar eleição no diretório do MDB, o presidente do partido, também ligado a Puccinelli, Junior Mochi, suspendeu a eleição do diretório em Ponta Porã, marcada para esta quinta-feira (29).

Mochi apresentou como justificativa um pedido de três filiados relatando brigas políticas entre grupos e acusando o atual presidente, Nestor Loureiro, de manchar a imagem do partido com ataques a filiados. Segundo o requerimento, o partido não estaria em condições livres e democráticas com a participação de todos os filiados.

Diante do pedido, Mochi cancelou o diretório e deu 10 dias para o presidente se manifestar. Agora, o grupo que defende eleição democrática no partido faz uma reunião para definir o que fazer, avaliando inclusive recorrer à justiça para garantir o direito de escolher o presidente sem interferência do diretório estadual.

“Houve uma armação que não tem cabimento e fundamento nenhum. Fizemos três reuniões, dentro do que manda o estatuto. Cinco candidatos se apresentaram e três desistiram, ficando eu e a vereadora Lourdes. Usaram requerimento de três filiados que nunca participaram do partido. Inclusive, os que fizeram requerimentos são companheiros e família de um dos que colocaram nome como candidato a presidente e desistiu. Não tem fundamento. Fizemos tudo dentro do que prescreve o estatuto”, garantiu.

Nestor afirma que, ao contrário do que diz o requerimento, o outro lado é que pretende fazer uma imposição nada democrática no partido, o que não será aceito. “Somos os antigos emedebistas. As coisas funcionam na conversa, diálogo. Com conversa e diálogo, chegamos a acordo. Não questionamos o André, mas a conduta. Achamos que temos o direito de escolha em Ponta Porã, nossa cidade. Quem tem o direito de escolha são os membros do diretório e jamais podemos aceitar imposições. Aceitamos diálogo, conversa, porque somos companheiros desde Wilson Barbosa Martins, passando por Plínio, até André Puccinelli. Não podemos aceitar certo tipo de imposição que a maioria não aceita”, detalhou.

O caso

Na quarta-feira (21), o ex-governador chegou de surpresa na reunião, acompanhado da vereadora Lourdes Monteiro, e defendeu a candidatura dela para presidente municipal, mas não conseguiu convencer o MDB local, que não aceita colocar interessados na disputa pela prefeitura como presidente da sigla.

O presidente do MDB em Ponta Porã, Brunoí Reichardt, renunciou ao comando do partido e Nestor Loureiro, conhecido como Chiquito, assumiu interinamente, por 30 dias. Agora, o partido convocou convenção com objetivo de escolher novo presidente, o que desagradou Puccinelli.

Ciente de que não conseguiria emplacar Lourdes, Puccinelli sugeriu cancelar a convenção para que, mais pra frente, o partido definisse um presidente para o diretório, o que também não foi aceito.

O atual presidente, Chiquito, avisou que realizará a convenção normalmente para disputar o diretório, mesmo contra a vontade de André Puccinelli, que disse ter ido na reunião atendendo pedido do presidente do partido, Junior Mochi.

“Defendemos um nome neutro na presidência e uma campanha por candidatura própria do partido em Ponta Porã. Vamos fazer a convenção dia 29 e registrar a chapa vencedora. Manter nossa propositura e trabalho para que o partido em Ponta Porã se fortaleça”, defendeu Chiquito.

O MDB local, que é contra Lourdes, desconfia de um possível acerto de Puccinelli para apoio ao atual prefeito, Eduardo Campos (PSDB). Corre no partido a informação de que ela teria sido oferecida como possível vice do atual prefeito na briga pela reeleição, o que é rejeitado pela maioria no partido.

Foto: Tião Prado/Ponta Porã Informa

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