Sem contrato, diretor diz que Hospital São Julião resistirá por pouco tempo e secretário fala em fakenews

O possível fechamento do Hospital São Julião criou nova polêmica envolvendo vereadores e o secretário de Saúde, Sandro Benites. Nesta semana, a Câmara recebeu, a pedido do vereador Marcos Tabosa (PDT), o presidente da Associação de Amparo e Recuperação dos Hansenianos, proprietária do Hospital São Julião, Carlos Melke. Ele levou aos vereadores a preocupação com o término do contrato com a prefeitura, que ocorreu nesta sexta-feira (30).

Na ocasião, segundo Melke, o secretário se comprometeu com o presidente da Câmara, Carlos Augusto Borges, de a apresentar um novo contrato até o final da tarde de ontem, o que não aconteceu. Sem contrato, o hospital inicia a semana mantendo o atendimento, mas por pouco tempo.

“É uma realidade da qual o secretário não pode se furtar. Ou está mal informado ou está sabendo e deixando evoluir para chegar a este ponto. Se comprometeu que até sexta o contrato estaria pronto. Não mandaram contrato e nem deram satisfação. Temos ata assinada pelo secretário de saúde e superintendente. Campo Grande não tem hospital municipal e quem faz operação final é Santa Casa, Hospital do Câncer, Pênfigo, e o próprio São Julião. Onde está a responsabilidade com a saúde do município? Isso pode virar uma bola de neve”, criticou.

O diretor do hospital explica que a instituição é contratada para operar filantropicamente dentro de Campo Grande e só atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sem atendimento particular, o que impediria de permanecer com as portas abertas sem um contrato.

“Sem contrato, como posso operar o São Julião? Não atendemos particular, só o SUS. Como aceitar internação, operação, via SUS,sem um contrato que me garanta pagamento, prestação de contas, auditoria. Santa casa, Pênfigo e outros, sem contratualização com a sesau, não pode operar. Como diz que é fakenews? Estamos debatendo renovação desde março dentro da Sesau. Sequer se preocuparam com situação. Estivemos há oito dias com a promotora da Saúde, doutora Daniela, levamos reivindicação para prefeita, que não pôde participar da reunião. Participaram a chefe de gabinete e secretária de Finanças,  e também não evoluiu. Tentamos uma audiência com o secretário de Saúde e não conseguimos”, detalhou.

Outro Lado

Procurado pela reportagem, o secretário informou que o contrato já saiu da Secretaria de Saúde e está na Secretaria de Finanças no momento, aguardando o tramite burocrático.

Pela rede social, Sandro divulgou um vídeo dizendo que o fechamento é fakenews da semana e falou em crime de divulgação. Afirmou que é voluntário no hospital e conhece a seriedade da instituição.

 “Nunca passou pela cabeça desta gestão, e tenho certeza que nem da  anterior e nem  nas próximas, deixar um hospital tão sério, que atende tantas pessoas e faz tantas cirurgias. Não levem a sério esta irresponsabilidade, muito próximo da molecagem. São pessoas que não têm compromisso com a saúde e geram pânico na nossa população”, disse.

 Redução de 90% nas cirurgias

O diretor do Hospital São Julião relata a redução do atendimento no hospital, que já realizou 60% das cirurgias eletivas feitas na Capital.

“Nosso trabalho em oftalmologia é referência quase nacional. Atendia cirurgia geral e cortou no início deste ano, um trabalho que fazíamos há mais de 20 anos. Mais de mil pacientes que cancelaram. Atendemos sem receber até abril, desde dezembro do ano passado. Ano passado atendemos 2.800 cirurgias e agora 26 por mês. O hospital tem capacidade de realizar 250 procedimentos. Cirurgia de hérnia, operação de vesícula, entre outros, que não são de urgência, mas as pessoas podem ir a óbito”, justificou. O contrato atual do hospital com a prefeitura é de R$ 1,7 milhão por mês, que permite atendimento em fisioterapia, otorrinolaringologia, cardiovascular, entre outros.

Outro lado

A secretaria de Saúde alegou que o aumento do número aconteceu por emenda parlamentar, já encerrada. Segundo a assessoria, o secretário tentará ampliação de recurso em Brasília. “O que é contratualizado com a Sesau continua sendo executado, que são as 26 cirurgias.
As 120 cirurgias a mais, iniciadas em 2020, eram custeadas pela emenda parlamentar da, até então, deputada federal Rose Modesto que, com a pandemia foi estendida por mais um ano e se encerrou em dezembro de 2022. O fim da verba da emenda para o custeio foi avisada de antemão pela Sesau para o Hospital São Julião, por meio de ofício, em outubro de 2022. Na semana que vem, o secretário irá até Brasília tentar pleitear com o Governo Federal o aumento deste custeio. Além de solicitar ao município e estado”.

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