O ano político em Mato Grosso do Sul foi marcado por disputa intensa por espaço, mas também por reconciliações que serão decisivas para a política nos próximos anos. Destaque para a reconciliação entre MDB e PSDB em Mato Grosso do Sul.
Tudo começou com uma briga pelo comando do MDB em Mato Grosso do Sul. Márcio Fernandes (MDB) avisou que queria concorrer, mas André Puccinelli (MDB) defendeu Waldemir Moka (MDB), para continuar dando as cartas. Com possibilidade de ir para a disputa no voto, Puccinelli acabou aceitando conversar.
A conversa ficou grande ao ponto de Puccinelli se reconciliar com a ministra Simone Tebet (MDB), após lavar roupa suja em Brasília. Depois deste encontro, Simone organizou um almoço na casa dela, onde recebeu Puccinelli, Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel para uma reaproximação entre os partidos.
No almoço, ficou combinado que Puccinelli apoiaria a reeleição de Eduardo Riedel em 2026 e que os dois partidos voltariam a fazer dobradinha na eleição para prefeito e vereador.
Os cargos no Governo Federal e Governo do Estado também foram alvo de disputas grandes, tendo o PT como protagonista. O partido fechou com Riedel em Mato Grosso do Sul, mas fez jogo duro para conseguir uma das secretarias mais importantes, com Zeca chegando a ameaçar que deixaria a base. Depois, o partido acabou aceitando ficar com todas as subsecretarias e a Agraer.
O ano rendeu para o PT, que ainda abocanhou a maioria das superintendências no Governo Lula, o que não evitou reclamação. A principal delas, envolvendo o comando da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). Petistas eram contrários à indicação de Rose, por ela não ter declarado voto em Lula na campanha. Além disso, o cargo era de interesse de Dagoberto Nogueira (PSDB) e da bancada do Mato Grosso. No fim, Rose contou com a força nacional do União Brasil para ficar com o cargo.
O PT ainda enfrentaria outra briga intensa para definição de candidato na Capital. A disputa começou entre Zeca do PT e Camila Jara. Depois, Zeca desistiu e coube a Giselle Marques o protagonismo da briga com Camila. Após várias reuniões, o partido conseguiu chegar a um entendimento, forçado, de que a Camila seria a melhor opção.
O PSDB viveu e vive um ano de disputa intensa nas principais cidades de Mato Grosso do Sul. Para Capital, após rápida disputa, Beto Pereira conseguiu acordo com Carlos Alberto de Assis para ser o candidato no próximo ano. Entretanto, em Corumbá e Dourados a confusão foi grande e continua acontecendo.
Em Corumbá, o prefeito Marcelo Iunes (PSDB) tenta emplacar um candidato do grupo dele, mas tem rivais dentro do próprio PSDB. A ex-deputada, Bia Cavassa, e o vereador, Luciano Costa, são rivais de Iunes e querem lançar candidatura única com outro grupo de pré-candidatos, que também são contrários a atual gestão. O ano terminou sem uma definição e com promessa de muita briga no primeiro semestre de 2024.
Já em Dourados, três deputados estavam dispostos a concorrer à prefeitura: Lia Nogueira (PSDB), Geraldo Resende (PSDB) e Zé Teixeira (PSDB). Pesquisas definiriam um candidato tucano. Entretanto, Zé Teixeira se aproximou de Marçal Filho (PP) e lhe convidou para voltar ao PSDB. Agora, o ex-deputado quer voltar ao PSDB para ser o candidato. Ele já está praticamente certo como candidato, mas lideranças tucanas tentam convencer os demais a desistirem da disputa para apoiar Marçal.
Se a briga é grande internamente, nas prefeituras o partido consolidou uma hegemonia em Mato Grosso do Sul. Comandado por Reinaldo Azambuja e Sérgio de Paula, o PSDB saiu de 37 para 50 das 79 prefeituras de Mato Grosso do Sul, encolhendo adversários e deixando o partido ainda mais forte.
Também teve briga pelo comando do União Brasil, com embate na Justiça entre os grupos de Soraya Thronicke e Rose Modesto. No final, Rose conseguiu ficar com a presidência e Soraya se mudou para o Podemos, onde ocasionou nova confusão. Ela assumiu a presidência e o antigo presidente, Sérgio Murilo, pediu para sair da sigla.
O clima também não foi nada amigável na fusão do PTB com o Patriotas, gerando o PRD. Delcídio do Amaral e Lídio Lopes brigavam pelo comando do novo partido. Lídio avisou que não continuaria na sigla se não fosse o presidente e acabou anunciando a saída, dias antes de Delcídio ser escolhido como presidente. Confira algumas disputas marcantes do ano que está terminando:
Briga por espaço, reaproximação
https://investigams.com.br/2023/11/10/apos-fusao-delcidio-e-lidio-disputam-presidencia-do-prd-com-possibilidade-de-debandada/ https://investigams.com.br/2023/03/21/rose-disputa-sudeco-com-ex-superintendente-da-funasa-indicado-por-dagoberto/
