O grupo de lideranças que muitos definem como “bolsonarista raiz” deve enfrentar dificuldade em mais uma eleição em Mato Grosso do Sul. A tendência é de que repitam as frustrações das últimas eleições no Estado, sem candidatura do que eles classificam como de direita.
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Embora apostem na força do grupo em Mato Grosso do Sul, principalmente pela influência de Jair Bolsonaro, as lideranças bolsonaristas não conseguem chegar a um consenso sobre nomes, o que impede articulação e dificulta o surgimento de um candidato do grupo, principalmente, ao governo.
O grupo bolsonarista considerado “mais radical” defende uma aliança entre eles, mas este sonho deve ser adiado novamente pelos diversos desentendimentos entre as lideranças. Capitão Contar, João Henrique Catan e Marcos Pollon, por exemplo, concordam com candidaturas de direita ao Governo e Senado, mas não têm a melhor das relações.
Catan é próximo a Contar, uma das poucas relações preservadas no grupo bolsonarista, mas têm dificuldade para montar uma aliança. Hoje, Contar é filiado ao inexpressivo PRTB, o que dificulta uma dobradinha. Para isso, teriam que se filiar a um partido com mínima estrutura de televisão e dinheiro de campanha. Catan chegou a ser citado, durante reunião com Bolsonaro, como provável candidato, caso Reinaldo não cumprisse a promessa de se filiar ao PL. Bolsonaro não deu muita ideia e, com a confirmação de Reinaldo, ignorou a possibilidade.
A situação de Pollon é ainda pior, porque ele não tem relação mais próxima com nenhuma das lideranças com mandato no grupo. Ele e Rodolfo Nogueira (PL), por exemplo, que nunca foram melhores amigos, hoje pouco se falam, o que dificulta uma parceria.
Hoje, Contar afirma que será candidato ao Senado e Pollon diz que prefere o Governo mas também não descarta o Senado. A dupla poderia se unir e concorrer, mas até o momento não esqueceram picuinhas formadas antes da eleição do ano passado, onde, no fim, ninguém conseguiu emplacar candidatura. Pollon convidou Contar para se filiar ao PL, mas não chegaram a um acordo e após várias reuniões com Bolsonaro, cada hora de uma parte do grupo, a relação ficou estremecida.
No ano passado, Bolsonaro chegou a se irritar com a quantidade de visitas que recebia do grupo de Mato Grosso do Sul, geralmente para falar sobre brigas internas. A confusão contribuiu para ele tomar a decisão de entregar de vez o comando para Reinaldo e Riedel, proibindo inclusive as lideranças de falarem sobre candidatura própria.
Histórico de frustrações
Em 2022, Capitão Contar (PRTB) lançou candidatura ao Governo do Estado e chegou ao segundo turno após declaração de voto de Jair Bolsonaro (PL) durante debate presidencial. Bolsonaro não apoiou Contar oficialmente, mas esta declaração foi capaz de levá-lo ao segundo turno, contra Eduardo Riedel.
Em 2024, a história também não teve desfecho feliz. Contar, João Henrique Catan (PL), Marcos Pollon (PL), Coronel David (PL), Rafael Tavares (PL) e Tenente Portela (PL) lançaram nomes para disputa em Campo Grande, mas foram barrados por Bolsonaro, que preferiu apoiar Beto Pereira (PSDB), em troca de uma aliança com Reinaldo Azambuja (PSDB) e Riedel.
A parceria fracassou na eleição em Campo Grande, onde Beto nem chegou ao segundo turno. Porém, a aliança se manteve para a próxima eleição, quando Reinaldo Azambuja se filiará e assumirá o comando do PL em Mato Grosso do Sul.
Pollon e Catan chegaram a declarar que são contrários e defenderam candidatura própria, mas foram ignorados por lideranças nacionais, que apostaram no pragmatismo, diante do poder do PSDB, que venceu três eleições seguidas para o Governo de Mato Grosso do Sul.
Reinaldo ainda não assumiu o comando do partido, mas já começou a conversar com lideranças bolsonaristas, mesmo com desconfiança. Ele, inclusive, citou Pollon como possível candidato ao Senado, a depender de pesquisa. Além disso, convidou Contar para o ato de filiação e não descartou diálogo, afirmando que o foco é combater “o adversário, Lula”.
