O homem de 22 anos, que registrou boletim de ocorrência alegando estupro de vulnerável contra o Secretário de Juventude de Campo Grande, Paulo Lands, continuará trabalhando na Prefeitura.
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Diferentemente do alegado no boletim de ocorrência, de que ele foi demitido, ele continuará trabalhando na prefeitura, mas em outra pasta.
A reportagem apurou que o jovem foi apenas colocado à disposição da secretaria, mas como é de processo seletivo, cumprirá o restante do tempo do contrato, de dois anos, em outra pasta.
Paulo Lands continua secretário na Capital e não respondeu ao questionamento da reportagem sobre a denúncia.
Nesta terça, ele deve ser alvo de críticas na Câmara, onde exerceu mandato na ausência de Sandro Benites, quando ele assumiu a Secretaria de Saúde. A vereadora Luiza Ribeiro (PT) e o vereador Maicon Nogueira (PP) foram alguns dos que cobraram providências.
Em nota, a prefeitura disse que está apurando os fatos. “Nenhuma medida precipitada será adotada e qualquer providência necessária será tomada no tempo devido, sempre em conformidade com a legislação vigente”.
O caso
O jovem relatou que trabalhava na prefeitura e que Lands era seu superior hierárquico, tendo iniciado convivência estritamente profissional. Ele afirma que no mês de julho de 2025 o secretário lhe ofereceu carona até sua residência e durante o trajeto, quando estavam sozinhos no interior do veículo, o autor teria passado a mão nas partes íntimas, causando-lhe constrangimento.
O rapaz diz ainda que não reagiu no momento por receio, em razão da relação de subordinação existente. Segundo o jovem, após o ocorrido, o autor passou a enviar mensagens com figurinhas e conteúdo de conotação sexual, insinuando relacionamento homoafetivo, insistindo mesmo após a vítima afirmar expressamente que não desejava qualquer envolvimento e que seria hetero.
O homem disse ainda que, no ambiente de trabalho, quando estavam em locais sem a presença de outras pessoas, o autor tocava seu corpo, passava a mão e forçava abraços.
“Afirma também que o autor proferia frases de cunho sexual, como: Que dia você vai me penetrar, causando-lhe constrangimento e abalo emocional”.
O homem disse ainda que no dia 12/12/2025 ocorreu a confraternização de final de ano da empresa, ocasião em ingeriu muito álcool, ficando em estado de vulnerabilidade.
Segundo o boletim, ao término da confraternização, Lands ofereceu novamente carona à vítima, que afirma estar embriagado, tendo inclusive necessitado de ajuda para ser colocado no interior do veículo do suspeito.
O jovem diz ainda que o autor voltou a fazer investidas, sugerindo que poderiam “ficar como casal nas férias”. Segundo boletim, diante da negativa da vítima, o autor teria declarado: “Eu consigo qualquer coisa, pois eu sou seu chefe, eu sou secretário da juventude”.
O homem diz que em vez de conduzi-lo à sua residência, o autor levou-o para sua própria casa, informando que mora sozinho. Ao chegarem ao local, segundo a vítima, o autor passou a retirar suas roupas sem seu consentimento e, em seguida, praticou sexo oral.
“A vítima relata que não consegue se recordar de tudo o que aconteceu, pois estava muito embriagado. Ao acordar, percebeu que estava nu na cama com o suspeito, que o abraçava naquele momento. A vítima diz que levantou-se e foi até a cozinha para beber água, tentando compreender o que havia ocorrido. Em seguida, passou a procurar seu celular para solicitar um transporte por aplicativo (Uber)”, diz o boletim.
O jovem diz ainda que após conseguir o que queria, o suspeito passou a manter a vítima sob vigilância no ambiente de trabalho, mas sem enviar mensagens insistentes.
O rapaz afirma que no dia 16/01/2026 precisou justificar-se ao chefe por estar atrasado e perguntou se ainda poderia comparecer ao serviço. O vereador respondeu que ele deveria ir até sua residência, afirmando que lhe daria carona novamente.
A vítima relata que foi de transporte por aplicativo (Uber) até a casa do suspeito, com receio de receber falta no serviço. Ao chegar, o suspeito voltóu a insistir e o beijou na boca. Ele diz que virou o rosto. Nesse momento, o suspeito passou a elogiar seu peitoral. Em seguida, levou a vítima até o quarto, deitou-o na cama e passou a acariciar seu órgão genital. A vítima afirma que não teve ereção, reiterando que não queria e que ambos estavam atrasados para o trabalho. O suspeito, então, declarou: “Eu sou o secretário e chego a hora que eu quiser, não se preocupe com isso”.
O rapaz diz que hoje foi demitido e ao buscar esclarecimentos do motivo, foi informado de que o secretário teria apresentado reclamações a seu respeito, alegando que ele não obedecia a ordens, era mal-educado e não desempenhava adequadamente suas atividades no trabalho.
