Presidente da Câmara afirma que demissão ocorreu há mais de 20 dias e caso foi apenas uma “infeliz coincidência”.
O presidente da Câmara de Campo Grande, vereador Papy (PSDB), negou que a demissão de uma servidora tenha relação com um boletim de ocorrência registrado contra o agora ex-presidente da Funesp, Sandro Benites.
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A servidora, que a reportagem preservará o nome, foi exonerada, coincidentemente, após a reportagem divulgar que ela registrou um boletim de ocorrência contra o ex-vereador por violência doméstica.
Indagado sobre o caso, o presidente da Câmara, vereador Papy, relatou que trata-se apenas de uma “infeliz coincidência”, porque a exoneração tinha sido assinada no dia 24 de fevereiro e só não foi publicada antes por uma questão protocolar.
“Desde a chegada de um novo diretor para a escola do legislativo ela já foi selecionada para sair. A servidora estava na função há 9 anos, antes mesmo do mandato do ex-vereador. Não era indicada dele e nem saiu a pedido dele. Uma mulher não precisa da influência de ninguém para entrar ou sair de cargos”, justificou.
O caso
No sábado passado, a Justiça concedeu medidas protetivas de urgência contra Sandro, enquadrando-o na Lei Maria da Penha por violência psicológica contra uma mulher com quem manteria um relacionamento há seis anos.
A bomba estourou após a vítima registrar um Boletim de Ocorrência na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). O estopim para a denúncia teria sido um ataque de fúria do diretor municipal logo após retornar de Dubai, onde recentemente virou notícia ao relatar “pânico” com os bombardeios entre Israel e Irã.
Segundo relatos detalhados nos autos e por pessoas próximas, Sandro usou a chave que tinha da casa da vítima para invadir o local e proferir ameaças. Acusando a mulher de ter “outro namorado”, o ex-vereador tentou tomar o celular dela à força para apagar mensagens comprometedoras.
A vítima afirma que descobriu que a recente viagem de Sandro para a Europa e Dubai foi feita ao lado da esposa oficial a quem ele jurava manter “um casamento apenas no papel”.
Ao analisar o pedido de socorro da vítima, o juiz José Henrique Neiva de Carvalho e Silva viu risco iminente à integridade da mulher caso o ex-vereador continuasse com “liberdade absoluta”.
“Vislumbra-se o risco emergente […] a qual merece, então, ser restringida, para evitar possível reiteração da conduta ou, então, a evolução para uma ação mais grave”, despachou o juiz.
Agora, Sandro deve manter distância mínima de 500 metros da vítima, de seus familiares e de testemunhas. Qualquer mensagem, ligação ou tentativa de contato pode levá-lo direto para a cadeia, com a decretação imediata de prisão preventiva.
Procurado pelo InvestigaMS para se explicar, Sandro Benites optou pela lei do silêncio e não respondeu mensagens. O espaço do Investiga MS segue aberto.
