MPE investiga desvio de recurso público por seis anos em taxa de embarque no interior 

 

Passageiros pagaram taxa, mas na contabilidade da prefeitura não constam repasse de 58 de 72 meses de contrato. 

 CLIQUE  PARA SEGUIR O NO INSTAGRAM E NO FACEBOOK

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPE) abriu inquérito civil para apurar  suposto desvio de recursos públicos provenientes da taxa de embarque de passageiros durante os anos de 2019 a 2024 no Município de Corumbá. 

O promotor que investiga o caso, Daniel Higa de Oliveira, colocou a investigação em sigilo, mas as denúncias de possível desvios são recorrentes na Câmara do Município, com requerimentos não respondidos no período investigado.

O vereador Chicão Vianna declarou, durante uma das sessões da Câmara, que documentos analisados apresentaram inconsistências e graves omissões na arrecadação da tarifa desde o ano de 2019.

A tarifa foi estabelecida em R$ 2,00, no ano de 2015, passando a R$ 3,00 no mesmo ano. Segundo o decreto de criação, ela seria utilizada para auxiliar o custeio, manutenção, funcionamento e fiscalização do Terminal Rodoviário.

Segundo o vereador Chicão Vianna,  em abril, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2019, por exemplo, não há qualquer registro de repasse da arrecadação, enquanto nos anos de 2022 e 2023 inteiros não há registros de qualquer valor da arrecadação da tarifa.

O vereador ainda ressaltou discrepâncias relevantes nos valores registrados em anos sucessivos.  “Em maio de 2019, por exemplo, a arrecadação foi de R$ 83.997,00. Já em maio de 2020, R$ 21.216,00, e em maio de 2021 reduziu-se drasticamente para apenas R$ 3.450,00”, contou.  

Segundo o vereador, a empresa que comanda o transporte no município tem capacidade para 241 passagens por dia, sem contar o aumento sazonal durante a alta temporada, quando são adicionados ônibus extras.

“Considerando apenas a operação regular da empresa Andorinha, a arrecadação potencial diária da tarifa de embarque seria da ordem de R$ 723,00, perfazendo R$ 21.690,00 mensais e R$ 260.280,00 anuais. Isso sem considerar a emissão de passagens pelas demais empresas do mesmo grupo ou o aumento de fluxo em feriados e temporadas turísticas”, continuou.

Na avaliação do vereador, considerando que de 72 meses, não há registro de arrecadação em 58, a prefeitura pode ter deixado de receber R$ 1.258.020,00, considerando uma única empresa emitindo somente as passagens regulares.

Deixe uma resposta