Sessão da Câmara é suspensa após manifestação e bate-boca

A sessão da Câmara de Campo Grande foi suspensa, momentaneamente, nesta terça-feira, após início tumultuado por protestos e bate-boca envolvendo discussões sobre projetos de lei aprovados recentemente na Casa.

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Um dos projetos proíbe mulheres trans de usarem banheiros femininos na Capital e o outro estabelece o Abril Verde e Amarelo, contra o Abril Vermelho do MST.

A prefeita Adriane Lopes sancionou o projeto de lei dos vereadores André Salineiro e Rafael Tavares, que proíbe a utilização de banheiros femininos por mulheres trans. O projeto foi aprovado com a justificativa de que vai “resguardar a intimidade e combater todo tipo de importunação ou de constrangimento”.

A sessão foi marcada por vaias da plateia desde o início da sessão, independentemente do assunto. O vereador Maicon Nogueira (PP), que defendeu CPI da Saúde, se posicionando contra terceirização das unidades de saúde, também não escapou do barulho da plateia.

O presidente da Câmara, Papy, rebateu a plateia, dizendo que a fala dele não tinha relação com o protesto. “Estão gritando pra ele por quê? Qual a lógica?… A manifestação não incomoda e não ofende, porque todo mundo está acostumado”, declarou, indagando se os vereadores gostariam de suspender a sessão. Os vereadores responderam que não é a sessão continuou.

O vereador Wilson Lands (Avante) colocou fogo no debate ao ignorar a manifestação e parabenizar a prefeita Adriane Lopes por sancionar o projeto que ele classificou como de valorização das mulheres.
O vereador foi bastante vaiado e criticou o fato de os manifestantes não lidarem com o contraditório. As vaias foram ainda mais fortes e o vereador concluiu mesmo assim: “Entre defender uma ideologia, eu fico com as mulheres e não com os inimigos das mulheres nesta casa”.


A fala de Lands foi rebatida pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), que disse nunca ter visto Lands defender as mulheres na Câmara.

“Você ataca as mulheres. Inimigo é o senhor. O senhor é inimigo das mulheres e sua prefeita é inimiga das mulheres. Eu não tenho medo do senhor. Eu não tenho medo do senhor. Eu não tenho medo do senhor.. As pessoas que estão aqui não têm medo do senhor. Foi eleito pelo povo em não respeita o povo. O senhor despreza o povo”, rebateu.

O vereador André Salineiro (PL) também foi vaiado e disse que não tinha medo de gritos. Ele sugeriu a criação de banheiros neutros para trans e não binários.

Após a confusão, o vereador Papy suspendeu a sessão por cinco minutos. Na volta, a sessão continuou sob protestos. Os vereadores do PT prometeram audiência pública e até medida judicial contra o projeto.

O bate-boca continuou e Papy voltou a se irritar porque os manifestantes não respeitavam nem o pedido de silêncio para moção de pesar. O vereador disse que na Câmara falava quem tinha mandato e as vaias continuaram.

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