Prisão em outro estado, pedido de liberdade por questões neurológicas e até foragido compõem o enredo de um dos maiores escândalos da saúde no Estado.
Mãe, dois filhos e ex-nora envolvidos em um escândalo na regulação da Saúde continuam na cadeia. Apenas a filha médica saiu, com tornozeleira. Os pedidos de soltura mais recentes estão parados, à espera do Tribunal de Justiça decidir qual vara julga o caso.
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Segundo o Gaeco, a Editora Avante recebeu R$ 27,4 milhões de prefeituras de Mato Grosso do Sul entre 2022 e 2024 com livros vendidos sem licitação. A Operação Gutenberg também apura a participação de servidores públicos que condicionaram a compra dos livros à liberação de vagas na Central de Vagas do Estado. Tudo ainda é a versão da acusação, ninguém foi julgado.
No papel, a dona era Rhayane Souza Fanaia; na prática, segundo a acusação, mandava a família Jafar, herdeira da Gráfica e Editora Alvorada.
Veja a situação de cada um:
Rossana Paroschi Jafar
Presa no presídio feminino Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande. Apontada como uma das três líderes do grupo, responde por organização criminosa, lavagem e três atos de corrupção ativa.
Ela teve o habeas corpus negado pelo TJ em 9 de setembro. Agora pede a soltura, alegando a incompetência da vara, ou prisão domiciliar por doença neurológica crônica. O MPE é contra. O pedido foi enviado ao desembargador que vai julgar o conflito entre as varas.
Giovanni Paroschi Jafar
Preso. Não foi encontrado no dia da operação, 7 de julho, e se apresentou à polícia em 14 de julho. O MP diz que ficou “sete dias foragido”; a defesa, que se apresentou espontaneamente.
Responde por organização criminosa e lavagem. Perdeu o habeas corpus no TJ em 9 de setembro, quando a tese do impedimento foi rejeitada. Também teve a liminar negada no STJ. O novo pedido de soltura, de 15 de setembro, foi enviado ao desembargador do conflito.
Felipe Paroschi Jafar
Preso no Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande. Responde por organização criminosa e lavagem. A defesa diz que ele saiu das empresas da família em 2023; o Gaeco apresenta áudios em que ele diz ter entrado “para fazer o comercial da editora”. Teve o habeas corpus negado pelo TJ em 12 de agosto. Em 19 de setembro, pediu a soltura alegando igualdade de tratamento com a irmã. Até a última movimentação analisada, não havia decisão.
Olívia Paroschi Jafar
Solta desde 17 de julho, com tornozeleira eletrônica por 180 dias, fiança de R$ 20 mil e proibição de falar com a mãe e os irmãos.
O Núcleo de Garantias entendeu que ela não integrava o comando do grupo e considerou razões de saúde. Ela responde por organização criminosa e lavagem.
Pediu autorização para viajar a trabalho pelo interior como médica; o MP não se opôs. Trabalha em uma empresa com foco em telemedicina com contratos em alguns municípios. O pedido foi enviado ao desembargador do conflito.
Rhayane Souza Fanaia
Ex-mulher de Giovanni e sócia formal da Avante até 2024. Está presa em Aparecida de Goiânia (GO). Responde por organização criminosa e lavagem; a própria denúncia diz que ela “agia a mando dos líderes”. Teve dois pedidos de soltura negados. No habeas corpus, o TJ negou a liminar em 11 de setembro. O mérito ainda será julgado.
Heyder Bartz
Apontado como um dos líderes, segue foragido.
Todos os acusados têm direito à presunção de inocência; ninguém foi julgado.
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