Operação Antidotum: juiz aceita denúncia contra ex-presidente e ex-diretores da Santa Casa

O juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal Residual de Campo Grande, aceitou denúncia do Gecoc contra envolvidos em desvios na Santa Casa, que levou a prisão de uma boa parte da diretoria.

Com o aceite, se tornaram réus: Alir Terra Lima (ex-presidente), Jary Carvalho de Castro (ex-vice-presidente), Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa (diretor-adjunto de finanças do hospital), Rinaldo Hakme Romano (ex-diretor financeiro), Alessandro Dias Junqueira (ex-diretor administrativo), Monique Gregório de Oliveira (coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística) e Maurício Aparecido Benites (empresário).

O caso

Durante a operação Antidotum, o Gecoc cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 trinta e seis mandados de busca e apreensão nos Municípios de Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Os policiais investigam a existência de fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, em que ocorreram pagamentos de valores elevados sem a devida contraprestação de serviços.

Segundo a investigação, o contrato previa pagamento de um milhão e oitocentos mil reais por ano e tinha vigência de três anos, totalizando cinco milhões e quatrocentos mil reais. Porém, segundo a investigação, somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou um milhão e quatrocentos mil reais.

“No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado”, diz o Gecoc.

Segundo a apuração do Gecoc, somente no ano de 2025, a Operadora pagou aproximadamente nove milhões e seiscentos mil reais para essas empresas, e gerou um prejuízo, no mínimo, segundo apurado até o momento, de três milhões e meio de reais à entidade.

As investigações apontam que os contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

“Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como antídoto, e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo.

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