O governador eleito, Eduardo Riedel (PSDB), está com problema parecido do presidente eleito, Luís Inácio Lula da Silva (PT) na composição do secretariado. Ambos nomearam as principais pastas e agora sofrem para encaixarem aliados no que sobrou.
A diferença é que Lula tem 37 ministérios e Riedel 11 secretarias. No Governo do Estado a maioria dos cargos estão no segundo escalão, com as agências, fundações e subsecretarias. Com as mudanças nos organogramas, algumas delas ainda perderam espaço para as novas secretarias executivas.
Riedel trabalhava tranquilamente na montagem do secretariado, trocando figurinhas apenas com Reinaldo Azambuja, garantindo a continuidade do governo. Dos 10 anunciados, oito já trabalham na atual gestão. Fecharia a lista esta semana, de maneira bem tranquila, até o que PT lembrou que a política é uma via de mão dupla.
Eduardo Riedel tem apenas três secretarias sem escolhidos: Educação, Assistência Social e uma que juntou Esporte, Cultura, Turismo e Cidadania no mesmo pacote. Para atender o PT, resolveu dar parte desta secretaria gigante, mas não conseguiu emplacar.
O novo governador ofereceu oito subsecretarias e a Agraer, mas teve a proposta rejeitada. A bancada do PT disse que de nada adiantava ter subsecretarias que não têm orçamento. Eles pediram então o comando da secretaria de uma vez por todas e Riedel ainda não deu a resposta para o pedido.
A cobrança ainda é pequena perto do tamanho que poderia ser para Riedel. Juntos, PT, MDB e PL, por exemplo, têm nove deputados. Com mais três, já chegariam à metade da Assembleia. Se juntassem força, o novo governador teria trabalho para aprovar projetos, principalmente mais impopulares. Todavia, até o momento, PL e MDB demonstram fazer composição sem maiores exigências.
Nos bastidores, a resposta seria a ajuda dada por Riedel e o PSDB a candidatos de outros partidos. No MDB, Márcio Fernandes e Renato Câmara foram acusados por correligionários de terem feito corpo mole na campanha de André Puccinelli (MDB). A falta de recurso no partido e proximidade de Puccinelli com Junior Mochi (MDB) teria sido um dos motivos.
O PP, partido que tem o vice-governador, Barbosinha, dois deputados estaduais, um deputado federal e a senadora Tereza Cristina, já deu o recado a Eduardo Riedel. Eles já se reuniram e apresentaram os nomes do partido para o governo. Agora, caberá a Riedel fazer o encaixe. Com a maioria das lideranças já encaminhadas, o partido terá pouca exigência ao tucano, que deve encaixá-los no segundo ou terceiro escalão.
Riedel deve anunciar os três últimos secretários nesta semana. Os últimos dois anúncios foram feitos em uma terça-feira. Até o final da semana passada ele ainda não tinha nomes definidos para Educação e Cidadania.
A situação do presidente Lula é parecida com a de Riedel e inclui uma sul-mato-grossense, Simone Tebet, uma das principais apoiadoras dele no segundo turno das eleições. Ele tenta encontrar um lugar para Simone, sem invadir os desejos do PT e ao mesmo tempo assegurando o protagonismo que ela conquistou na última eleição.
