Briga ideológica empobrece debate e lacração começa a revoltar vereadores

Guerra de moções e pautas nacionais têm infantilizado sessões e distanciado vereadores de questões importantes para cidade

A briga ideológica, que por vezes beira a infantilidade, tem empobrecido o debate e já começa a irritar quem acompanha as sessões da Câmara de Campo Grande. A inutilidade de muitos embates é grande ao ponto de uma boa parte dos vereadores já se incomodar com o andamento das pautas.

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Os primeiros dias de trabalho na Câmara de Campo Grande foram marcados por sucessivos embates entre as bancadas do Partido Liberal (PL) e Partido dos Trabalhadores (PT). Os dois grupos fazem uma guerra particular, que tem dominado as sessões, com votações de moções de congratulação e repúdio, de ambos os lados, posteriormente utilizadas na rede social.

O PL, que não tinha vereador na Casa na gestão passada, agora tem três, o mesmo tamanho da bancada do PT, o que tem acirrado e tomado conta de uma boa parte do tempo de vereadores nas sessões.

O que no começo despertava curiosidade, motivada pela expectativa de como seria a nova Câmara, tem perdido a graça diariamente, ficando quase que impossível acompanhar uma sessão da Câmara.

A coisa anda tão feia que, além da população e imprensa que acompanha, os próprios vereadores já começaram a se incomodar com o que chamam de “perda de tempo”, diante das inúmeras demandas da cidade. A gota d’água foi uma moção de apoio apresentada para o projeto de anistia a presos pelo 8 de janeiro de 2023.

A votação dividiu vereadores e continuou após a sessão, com ameaças de exposição dos votos de quem foi contra. O presidente da Câmara, Papy (PSDB), que não vota, considerou a discussão importante, mas uma boa parte dos vereadores avaliou como desnecessária, visto que a matéria será votada na Câmara Federal, por deputados federais e não por vereadores.

Nesta votação, Luiza Ribeiro (PT) contestou a apresentação fora do prazo regimental e o vereador André Salineiro (PL) ameaçou lotar a sessão apenas para aprovação da moção. Papy acabou votando, mesmo contra o regimento, justificando que os vereadores já tinham ocupado tempo de uma sessão discutindo a matéria e perderiam mais tempo se votassem no dia seguinte.

As incontáveis e cansativas discussões entre PT e PL, sobre pautas nacionais começa a incomodar principalmente quem quer fugir da polarização e, agora, também passa a ser envolvido nas “lacrações da rede social”. Esta pauta da anistia, por exemplo, foi utilizada pelo grupo que se intitula “de direita” para classificar como “esquerdista” quem se posicionou contra anistia para quem depredou os prédios dos Poderes, indignados com o resultado da eleição.

Apatia

Apesar da reclamação, os próprios vereadores têm contribuído para o protagonismo de debates praticamente irrelevantes para a cidade. Com mandato morno da maioria, que conversa para ser base, os assuntos da cidade acabam ficando em segundo plano.

O desvio de pauta estava agradando a parte que estava considerando até boa a cortina de fumaça. Entretanto, a exposição e lacração na rede social tem uma maioria de vereadores, agora dispostos a reduzirem a pauta ideológica, com medo de prejuízos para campanhas futuras.

Foto: Izaias Medeiros/Câmara

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