Secretário foi mantido no cargo após operação e saiu “a pedido”.
Quase um mês após ser alvo da Operação Auditus, Alexandre Zamboni, secretário de Fazenda de Bela Vista, administrada por Gabriel Boccia, pediu para deixar o cargo.
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O gerente de Finanças, Fernando Ferreira, assumiu o cargo interinamente.
Após a operação, realizada no dia 13 de agosto, a prefeitura divulgou uma nota dizendo que nunca houve busca e apreensão na sede do Poder Executivo ou contratos com investigados. Além disso, defendeu os servidores alvos.
“Jameire Santos: a Prefeitura reafirma seu respeito à sua honra e trajetória e agradece pelos serviços prestados ao Município durante o período em que esteve à frente da Secretaria Municipal de Saúde. São assegurados seu direito à presunção de inocência, à ampla defesa e ao contraditório.Alexandre Zamboni: atual secretário municipal de Fazenda, também tem assegurados o direito à presunção de inocência, à ampla defesa, ao contraditório e à preservação de sua honra”, diz a nota.
Investigação em Bela Vista
A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna afirma que as atividades da organização criminosa “não cessaram com a troca dos agentes públicos que sucederam após as eleições municipais” e que o grupo “continua em plena atuação neste ano de 2026”.
A abordagem a Bela Vista começou em 4 de dezembro de 2024, antes mesmo da posse da nova gestão. Naquele dia, segundo a decisão que autorizou a prisão, a gerente administrativa da Prontomed, Tatiane Barbosa de Souza Grubert, mandou mensagem ao investigado Rodrigo Valencio Onofre perguntando se ele conhecia “Alexandre Zamboni”. Disse que pretendia vender os serviços da clínica à Prefeitura de Bela Vista.
Zamboni assumiria a Secretaria Municipal de Fazenda do município em 1º de janeiro de 2025.
Rodrigo confirmou conhecê-lo. Tatiane, então, afirmou lembrar dele, “haja vista que fazia parte de esquemas ilegais”, registra a decisão.
Ela procurou Zamboni e fez a proposta “nos mesmos termos do esquema operado em Nioaque”. Segundo o Ministério Público, a proposta foi aceita.
Seis dias depois da posse, em 7 de janeiro de 2025, Tatiane Grubert pediu o agendamento de uma reunião com Zamboni ou com a secretária municipal de Saúde de Bela Vista, Jameire Luzia Francisca dos Santos, para apresentar as propostas da Prontomed no município.
Para o Ministério Público, Jameire e Zamboni “concordaram com a fraude e direcionamento do processo licitatório em benefício da empresa”. A decisão afirma que Tatiane chegou a orientar a secretária de Saúde sobre como conduzir o processo administrativo para garantir o êxito da clínica.
O método seria o mesmo de Nioaque: manipulação de documentos e ajuste prévio de atos administrativos para direcionar o certame
Auditus
No último dia 13 de agosto, o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram a segunda fase da Operação “Auditus”.
Foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão nos Municípios de Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna. Entre os presos, a ex-secretária de Saúde de Nioaque, Márcia Jara.
A investigação aponta a ocorrência de fraudes em licitações realizadas pela Prefeitura de Nioaque, que tiveram como objeto a contratação de empresa para a prestação de serviços de especialidades médicas por meio de consultas, realização de exames e procedimentos médicos.
“Após a análise do material apreendido na primeira fase da operação, deflagrada em julho de 2025, e de diligências subsequentes empregadas, foram reunidos elementos que comprovam a existência de um esquema criminoso estruturado, voltado ao direcionamento de contratações, ao pagamento por serviços médicos não realizados e ao desvio de recursos públicos, tudo mediante o sistemático pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Segundo a investigação, o gasto com tais serviços médicos teve um aumento de 1.713% (mil setecentos e treze por cento) no período das contratações fraudulentas, de 2022 a 2025, ao passo que o total de 83% (oitenta e três porcento) dos exames e consultas pagos pelo Município foram simulados pelo grupo criminoso, composto por agentes públicos e privados, mediante a falsificação de documentos.
A estimativa é de que o grupo tenha causado prejuízo de mais de R$ 4 milhões. Além disso, os elementos colhidos apontam que o grupo criminoso vem atuando para expandir o esquema para outros municípios do Estado de Mato Grosso do Sul, demonstrando a continuidade e o agravamento das atividades ilicitas.
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