Apontada como uma das líderes de escândalo na Saúde, matriarca da família Jafar deixa a prisão

A juíza da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, Eucélia Moreira Cassal, concedeu prisão domiciliar a Rossana Jafar, presa pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco)  na Operação Guttemberg, que investiga desvio de R$ 27 milhões em esquema na Regulação de Saúde do Estado.

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A defesa alegou que a prisão agravou o quadro de saúde de Rossana, que tem epilepsia. O argumento foi acatado por Eucélia Moreira, que concedeu relaxamento da prisão.

“Ressalte-se que a prisão domiciliar, no caso, não representa impunidade ou benesse, mas sim medida que visa garantir o tratamento médico adequado à requerente, sem comprometer os objetivos da persecução penal”, decidiu.

Segundo o Gaeco, a Editora Avante, usada no esquema, recebeu R$ 27,4 milhões de prefeituras de Mato Grosso do Sul entre 2022 e 2024 com livros vendidos sem licitação. A Operação Gutenberg também apura a participação de servidores públicos que condicionaram a compra dos livros à liberação de vagas na Central de Vagas do Estado.

No papel, a dona era Rhayane Souza Fanaia; na prática, segundo a acusação, mandava a família Jafar, herdeira da Gráfica e Editora Alvorada. Rossana é apontada na investigação como uma das três líderes do grupo. Ela responde por organização criminosa, lavagem e três atos de corrupção ativa.

Também foram presos os filhos de Rossana: Giovani Paroschi Jafar, Felipe Paroshi Jafar e Olívia Paroschi Jafar.

Como está o restante da família?

Giovanni Paroschi Jafar

Preso. Não foi encontrado no dia da operação, 7 de julho, e se apresentou à polícia em 14 de julho. O MP diz que ficou “sete dias foragido”; a defesa, que se apresentou espontaneamente.

Responde por organização criminosa e lavagem. Perdeu o habeas corpus no TJ em 9 de setembro, quando a tese do impedimento foi rejeitada. Também teve a liminar negada no STJ. O novo pedido de soltura, de 15 de setembro, foi enviado ao desembargador do conflito.


Felipe Paroschi Jafar

Preso no Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande. Responde por organização criminosa e lavagem. A defesa diz que ele saiu das empresas da família em 2023; o Gaeco apresenta áudios em que ele diz ter entrado “para fazer o comercial da editora”. Teve o habeas corpus negado pelo TJ em 12 de agosto. Em 19 de setembro, pediu a soltura alegando igualdade de tratamento com a irmã. Até a última movimentação analisada, não havia decisão.


Olívia Paroschi Jafar

Solta desde 17 de julho, com tornozeleira eletrônica por 180 dias, fiança de R$ 20 mil e proibição de falar com a mãe e os irmãos.

O Núcleo de Garantias entendeu que ela não integrava o comando do grupo e considerou razões de saúde. Ela responde por organização criminosa e lavagem.

Pediu autorização para viajar a trabalho pelo interior como médica; o MP não se opôs. Trabalha em uma empresa com foco em telemedicina com contratos em alguns municípios. O pedido foi enviado ao desembargador do conflito.


Rhayane Souza Fanaia

Ex-mulher de Giovanni e sócia formal da Avante até 2024. Está presa em Aparecida de Goiânia (GO). Responde por organização criminosa e lavagem; a própria denúncia diz que ela “agia a mando dos líderes”. Teve dois pedidos de soltura negados. No habeas corpus, o TJ negou a liminar em 11 de setembro. O mérito ainda será julgado.

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