O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa também é alvo da Operação Ifrit, da Polícia Federal e Receita Federal, que combate organização criminosa que movimentou R$ 500 milhões.
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A residência do delegado foi alvo de buscas nesta quarta-feira. Ele não estava no local porque está preso desde setembro deste ano, quando foi alvo da operação Infiltrados, do Gaeco.
A operação desta quarta-feira cumpre 76 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária, além de três medidas de monitoração eletrônica e do afastamento de três policiais civis de suas funções públicas. Outro policial alvo é Douglas Tobias, que também foi preso em setembro, na Infiltrados.
Na operação desta quarta, a policia apura a atuação de uma organização criminosa transnacional liderada por um núcleo familiar e associada a facções criminosas, com participação de agentes públicos das forças de segurança.
O grupo é investigado por tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro, além de crimes violentos, como sequestros, torturas, atentados e homicídios. Segundo as investigações, a organização utilizava armamento, estruturas de apoio e veículos blindados para exercer controle territorial e intimidar rivais.
Segundo a polícia, a estrutura criminosa seria liderada por um núcleo familiar composto por três irmãos, seus filhos e outros parentes, contando ainda com a participação de diversos nacionais e estrangeiros vinculados às atividades do grupo.
Quebras dos sigilos bancário, fiscal e telemático, indicaram movimentação superior a R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos de apuração. Os recursos teriam circulado por intermédio de contas vinculadas aos investigados, operadores financeiros, empresas de fachada e negócios simulados utilizados para ocultar a origem e a destinação dos valores.
“As análises fiscais conduzidas pela Receita Federal identificaram indícios de mecanismos de lavagem de dinheiro envolvendo interpostas pessoas, ocultação patrimonial e dissimulação de fluxos financeiros, resultados corroborados por monitoramentos, interceptações e outras medidas investigativas”, informa a Receita Federal.
As apurações tiveram início a partir do compartilhamento de elementos probatórios obtidos em investigação correlata. A partir desses elementos iniciais, foram representadas e deferidas diversas medidas cautelares, incluindo quebras de sigilos telemático, bancário e fiscal, além de outras técnicas especiais de investigação. Os procedimentos possibilitaram reconstruir a dinâmica operacional da organização, rastrear fluxos financeiros, identificar vínculos societários e patrimoniais, bem como compreender os mecanismos utilizados para a prática e ocultação das atividades ilícitas atribuídas ao grupo criminoso.
Infiltrados
Em setembro, foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão nos Municípios de Campo Grande, Dourados e Terenos. Os nomes dos demais não foram divulgados .
As investigações foram iniciadas em outubro de 2025, a partir de provas descobertas nas Operações do Traquetos e Blindspot, ambas do Gaeco, revelando participação de vários policiais em um grandioso esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína.
“O modus operandi adotado pela organização criminosa consiste no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão, nos registros formais, de parte da droga efetivamente arrecadada; seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia. A droga desviada é então repassada para traficantes ligados à organização criminosa, os quais são responsáveis por reintroduzir o estupefaciente no mercado ilícito”, diz nota do Gaeco.
Segundo o Gaeco, os policiais que integram a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para, em completa subversão de seus deveres funcionais, atuar como verdadeiros fornecedores para o tráfico.
Foram afastados da polícia, após a operação: o delegado Hoffman e os seguintes policiais:
Investigador Luiz Carlos de Souza: lotado na Delegacia Especializada de Repressão ao narcotráfico
Investigador Douglas Tobias: lotado no Grupo de Operações e Investigações – GOI
Investigador Neverson Vieira de Araújo; lotado na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa
Investigador Nelson Ricardo Barros de Oliveria – lotado na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos – DEFURV
Investigador Nilton César Sales dos Santos – Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos – DERF
Investigador Roberto Palmeira da Silva – Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário de Campo Grande – DEPAC/CG
Investigador Marcos André Santos Chaves – 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Campo Grande – 1ª DEAM/CG
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