O deputado estadual Lídio Lopes (Patriota) terá dificuldade para conseguir fazer valer o acordo feito com Reinaldo Azambuja e deputados do PSDB para conseguir um cargo de destaque na Assembleia Legislativa. O curioso é que a força em Campo Grande, que fez Reinaldo chamar Lídio para fazer promessas é justamente o que deve afastá-lo do poder.
Na Assembleia, deputados da próxima legislatura acreditam ser remota a possibilidade de o deputado conseguir este cargo de destaque. Eles entendem que, além do Patriota ter apenas um deputado na Assembleia, a família já tem bastante poder com a prefeitura da Capital, hoje administrada pela esposa de Lídio, Adriane Lopes (Patriota).
Pesa também o fato de uma ascensão de Lídio criar obstáculo justamente para os planos do próprio PSDB de Reinaldo, que está de olho na Prefeitura de Campo Grande. Embora a prefeita esteja sintonizada com o novo governador eleito, Eduardo Riedel, no ninho tucano o propósito é eleger o deputado federal Beto Pereira, um dos próximos secretários do novo governo.
O PSDB repetirá com Beto justamente o que fez com Riedel, escolhido há muito tempo para a disputa. Os tucanos não abriram mão de concorrer, insistiram e com a força da máquina elegeram o então desconhecido do eleitorado.
Os tucanos estão de olho na Capital desde 2012, quando Reinaldo Azambuja perdeu para Alcides Bernal (PP). Logo depois, Reinaldo chegou ao Governo do Estado, mas sofreu novo revés com Rose Modesto, em 2016. Agora, tentam chegar ao poder para repetir o MDB, que fez dobradinha nos dois cargos mais desejados no Estado: governador e prefeito da Capital.
Acordo rasgado
O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) foi o principal interlocutor do apoio da prefeita Adriane Lopes (Patriota) a Eduardo Riedel (PSDB) no segundo turno das eleições. Para ajudar o afilhado político a se fortalecer no segundo turno, o governador reuniu em Campo Grande cinco deputados eleitos pelo PSDB na Assembleia e, juntos com o deputado Lídio Lopes, (Patriota) costuraram uma parceria. O deputado Caravina não participou da reunião, mas assinou o documento.
Ficou acordado que Lídio ocuparia uma vaga de destaque na mesa diretora da Assembleia, presidente ou primeiro-secretário, em dobradinha com outro indicado pelo PSDB. Com o acordo fechado, Lídio e o Patriota declaram apoio a Riedel, que passou a contar com o empenho da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes.
Sem Lídio, com acordo rasgado, cresce as chances do deputado Gerson Claro (PP) chegar à presidência. Ele trabalha fortemente nos bastidores e tem como líder da costura a senadora Tereza Cristina (PP), uma das responsáveis pelo sucesso de Riedel em Mato Grosso do Sul. Gerson deve fazer dobradinha com o presidente da Assembleia, Paulo Corrêa, que não abre mão do segundo cargo de maior destaque, a primeira secretaria.
Foto: divulgação/Assembleia
