Vereadores alegam falta de tempo para analisar documentação disponível desde fevereiro
A Câmara de Terenos ainda não concluiu a avaliação dos documentos do Gaeco, que investigam um esquema de corrupção na prefeitura do Município. Os documentos estão disponíveis desde fevereiro. O prefeito, Henrique Budke, foi preso, saiu da prisão, ficou afastado por meses e já retornou, mas a Câmara continua avaliando se abre ou não uma CPI.
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Indagada pela reportagem sobre o andamento da análise, a Câmara voltou a dizer que não concluiu.
“Desde fevereiro de 2026 a análise dos documentos da Operação Spotless segue em andamento. Trata-se de um material extenso, com mais de 10 mil páginas, que está sendo analisado individualmente pelos vereadores, paralelamente às demais atividades legislativas. Além disso, diante dos fatos novos relacionados ao caso, a análise continua sendo conduzida com a cautela necessária”, respondeu a Câmara, via assessoria.
Segundo a assessoria da Câmara, não há uma previsão para a conclusão dos trabalhos e nem definição sobre eventual prorrogação de prazo. “Assim que houver um entendimento consolidado e uma manifestação oficial, ela será comunicada”.
Em abril, vereadores pediram mais 60 dias para avaliarem as provas produzidas pelo Gaeco. Na ocasião, vereadores justificaram que não tiveram tempo de analisar toda a documentação, que está disponível desde o dia 4 de fevereiro.
Segundo a Câmara, todos os vereadores têm acesso ao documento, em uma sala restrita, onde só um parlamentar pode entrar, sem qualquer tipo de equipamento eletrônico que permita algum tipo de registro (celular, câmera, filmadora e similares).
Um funcionário da Câmara é designado para entrar junto com o vereador, onde o mesmo fica responsável pela segurança do documento. Esse servidor também entra na sala seguindo a regra dos equipamentos eletrônicos.
O caso
Em janeiro, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) aceitou pedido do Ministério Público Estadual e encaminhou cópia da denúncia de escândalo de corrupção na Prefeitura de Terenos para a Câmara Municipal.
O desembargador Jairo Roberto de Quadros, ainda autorizou que os vereadores tenham acesso às provas produzidas na investigação que prendeu e afastou o prefeito Henrique Budke (PSDB).
Os alvos da operação são monitorados por tornozeleira: prefeito, Henrique Wancura; Arnaldo Santiago, Cleberson José Chavoni Silva, Eduardo Schoier, Fábio André Hoffmeister Ramires, Fernando Seiji Alves Kurose, Genilton da Silva Moreira, Hander Luiz Correa Grote Chaves, Isaac Cardoso Bisneto, Leandro Cícero Almeida de Brito, Nadia Mendoça Lopes, Orlei Figueiredo Lopes, Sandro José Bortoloto, Sansão Inácio Rezende e Valdecir Batista Alves.
A investigação do Gecoc e Gaeco denunciou a existência de organização criminosa voltada à prática de crimes contra a Administração Pública instalada no município de Terenos/MS, com núcleos de atuação bem definidos, liderada por um agente político, que atuava como principal articulador do esquema criminoso.
“A organização criminosa se valia de servidores públicos corrompidos para fraudar o caráter competitivo de licitações públicas, direcionando os respectivos certames para beneficiar empresas participantes do esquema delituoso, mediante a elaboração de editais moldados e por meio de simulação de competição legítima, em contratos que, somente no último ano, ultrapassaram a casa dos R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais), diz parte da nota do Gaeco.
Segundo as investigações, o esquema também envolvia o pagamento de propina aos agentes públicos que, em típico ato de ofício, atestavam falsamente o recebimento de produtos e de serviços, como ainda aceleravam os trâmites administrativos necessários aos pagamentos de notas fiscais decorrentes de contratos firmados entre os empresários e o poder público.
A polícia extraiu provas de alguns telefones celulares apreendidos na Operação Velatus, compartilhadas mediante autorização judicial, que revelaram o modus operandi da organização criminosa e possibilitaram que se chegasse até o líder do esquema.
“Spotless” – termo que dá nome à operação, é uma referência à necessidade de os processos de contratação por parte da Administração Pública serem realizados sem manchas ou máculas.
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