Empresas de família ligada a réus por fraude de R$ 78 milhões seguem conquistando contratos em MS

Transmaq e TS Construtora, cujos proprietários respondem a ação penal pela Operação Laços Ocultos, somam mais de R$ 1 milhão em contratos com a Prefeitura de Aral Moreira firmados neste ano

Duas empresas cujos proprietários são réus na Operação Laços Ocultos, que apura fraude de ao menos R$ 78 milhões em licitações de obras e serviços em Amambaí, mantêm contratos ativos com a Prefeitura de Aral Moreira.

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Levantamento de registros públicos mostra que a Transmaq Serviços e Locações Eireli, de Fernanda Carvalho Brito, e a TS Construtora Ltda, de Ariel Betezkoswski Maciel, somam R$ 1.005.936,93 em contratos firmados com a administração aralmoreirense em 2026.


Investigação em Amambaí


A Operação Laços Ocultos foi deflagrada em 16 de novembro de 2023 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

A ação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 44 de busca e apreensão em Campo Grande, Amambaí, Bela Vista, Naviraí e Itajaí (SC). Segundo o MPMS, o grupo atuava havia pelo menos seis anos fraudando licitações de obras e serviços de engenharia em Amambaí, principalmente por meio de empresas ligadas a familiares, com sócios até então ocultos, o que deu nome à operação.

Nesse período, os contratos obtidos pelo grupo somaram mais de R$ 78 milhões. Perícias de engenharia identificaram superfaturamento e execução parcial de obras, além de pagamento de propina a agentes políticos e servidores responsáveis pela fiscalização.


O apontado como chefe do esquema é o ex-vice-prefeito e ex-vereador Valter Brito da Silva (PSDB), então líder do ex-prefeito Edinaldo Bandeira (PSDB). Ele foi denunciado por organização criminosa, fraude de licitação pública em 33 ocasiões, corrupção ativa e passiva e concurso material de crimes. Após ser preso em novembro de 2023, passou por cirurgia cardíaca e obteve prisão domiciliar.


A denúncia do MPMS, recebida pela Justiça em dezembro de 2023, tornou réus 17 investigados. Em 30 de junho de 2026, o Tribunal de Contas de MS (TCE/MS) arquivou a representação que apurava o caso na esfera administrativa, por entender que a investigação dependeria de instrumentos exclusivos da Justiça criminal, como quebra de sigilo bancário. O acórdão, no entanto, é explícito: “o arquivamento dos autos não implica reconhecimento de regularidade das condutas narradas”. A ação penal segue em curso na Vara Criminal de Amambaí.

As empresas e os contratos em Aral Moreira


Fernanda Carvalho Brito é filha de Valter Brito da Silva e proprietária da Transmaq Serviços e Locações Eireli, segundo consta na denúncia do MPMS. Ela responde à ação penal por corrupção ativa e concurso material de crimes.


Em 25 de junho de 2026, a Prefeitura de Aral Moreira, sob gestão da prefeita Elaine Aparecida Soligo (MDB), assinou contrato com a Transmaq no valor de R$ 941 mil para reforma do Ginásio Poliesportivo Alexandrino Marques.


A obra é custeada por contrato de repasse com a Caixa Econômica Federal vinculado ao Ministério do Esporte. O contrato foi assinado por Elaine Soligo e por Fernanda Carvalho Brito, na condição de titular da empresa.


Ariel Betezkoswski Maciel é proprietário da TS Construtora Ltda e também réu na Operação Laços Ocultos, respondendo por organização criminosa e fraude de licitação pública em 12 ocasiões.

Em 15 de maio de 2026, sua empresa firmou com Aral Moreira contrato no valor de R$ 64.936,93, para aquisição de cascalho destinado à conservação de estradas vicinais, celebrado por dispensa de licitação.

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