Deputado de MS foi intimado por Flávio Dino em abril; documentos do Governo paulista mostram aval a repassar a verba à Academia Nacional de Cultura, alvo da Operação Make Up desta quarta, mas execução é zero e o “redirecionamento” a hospital anunciado por ele não existe nos registros.
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A Academia Nacional de Cultura (ANC), uma das ONGs presididas pela empresária Karina Ferreira da Gama e alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (10) com aval do ministro Flávio Dino, do STF, é a entidade para a qual o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) destinou R$ 1 milhão em emenda Pix em 2024.
A operação, que apura desvio de emendas e lavagem de dinheiro em torno do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, proibiu o deputado Mário Frias (PL-SP) e outros 28 investigados de deixar o país.
O Investiga MS rastreou o dinheiro de Pollon no Portal da Transparência, na API do Transferegov e em documentos do processo administrativo de São Paulo. Ele saiu do Tesouro Nacional em 13 de dezembro de 2024 para a conta do Governo paulista, único caminho possível para uma transferência especial, e lá continua, intacto.
No processo da Secretaria da Cultura de São Paulo, a “interessada” é a própria ANC. Em 26 e 27 de novembro de 2024, a pasta emitiu parecer técnico favorável a um termo de fomento com a associação para repassar o R$ 1 milhão da emenda de Pollon, dentro de um projeto de R$ 2,65 milhões financiado também por Carla Zambelli (R$ 1 milhão), Delegado Ramagem (R$ 500 mil) e Bia Kicis (R$ 150 mil): a série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rende”, com episódios sobre Portugal, José de Anchieta e Dom Pedro I.
O termo não aparece assinado. O Ministério da Cultura devolveu o plano de trabalho duas vezes, em março e agosto de 2025, o prazo de execução venceu em novembro e o relatório de gestão de 1º de junho de 2026 registra R$ 0,00 executados. O objeto segue sendo a série.
A intimação
Em 21 de março, a partir de petição da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), Dino mandou intimar Frias, Kicis e Pollon. O deputado sul-mato-grossense foi intimado pessoalmente no gabinete da Câmara em 7 de abril, depois de uma tentativa frustrada em 31 de março. Em 15 de maio, o ministro registrou que Kicis e Pollon já haviam se manifestado, e Frias não, e autuou o caso em petição apartada, sob sigilo, na ADPF 854.
A versão pública do deputado mudou no caminho. Em junho de 2025, sua assessoria disse que o dinheiro “não chegou, nem saiu dos cofres públicos”, da União ele havia saído seis meses antes. Em maio de 2026, Pollon afirmou ter pedido o “redirecionamento dos recursos ao Hospital de Amor de Barretos”. Até 9 de setembro, o Transferegov não registra alteração de objeto, novo plano ou devolução.
O segundo filme
Pollon também pôs R$ 180.896,27 no convênio 965641 do Fundo Nacional de Cultura com a associação Passos da Liberdade, de Porto Alegre, para o documentário “Genocidas”: R$ 860,9 mil, liberados integralmente em fevereiro de 2025, com R$ 500 mil de Eduardo Bolsonaro e R$ 180 mil de Mário Frias.
A entidade é presidida por Rodrigo Cassol Lima, ex-número dois da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Cultural na gestão de Frias. Vigência até 16 de outubro; não há registro público de nenhum produto. Esse convênio não está, até agora, no objeto da Make Up.
As duas emendas somam 1% dos R$ 118 milhões que Pollon empenhou no mandato, mas são as únicas dele fora de Mato Grosso do Sul, as únicas na cultura e as únicas sob apuração no Supremo. Não há, nos registros, ligação entre as entidades e o círculo pessoal do deputado, nem evidência de desvio. O que há é um milhão de reais parado num Estado que não é o dele, com destino que só existe na versão oral do parlamentar.
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