Ex-secretário partiu para os Estados Unidos dias antes da operação do Gecoc.
O ex-secretário de Governo do Município de Nioaque, Vagner Alves Ribeiro Guimarães, continua foragido. Ele era um dos alvos de mandado de prisão da Operação Auditus, mas quando a operação ocorreu, há quase um mês, tinha partido para os Estados Unidos. Passados quase 30 dias, ele ainda não se apresentou ao Gecoc.
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Vagner Alves Ribeiro Guimarães ocupava a Secretaria Municipal de Governo de Nioaque no período em que, segundo o Ministério Público, a organização criminosa direcionava licitações de saúde à clínica Prontomed, hoje registrada como Policlínica Rota Bioceânica.
De acordo com a investigação do MPMS, que iniciou a segunda fase da Operação Auditus, foram identificados na conta bancária dele depósitos sucessivos em espécie que somam R$ 936 mil, sem qualquer identificação de origem. Os depósitos ocorriam após saques em dinheiro feitos pelos donos da clínica e pela gerente administrativa, muitos deles logo depois de a Prefeitura de Nioaque pagar as faturas da empresa.
Para o Ministério Público, a compatibilidade “pela forma, periodicidade e montantes” com os saques anteriores revela “nítido nexo temporal, financeiro e operacional” e evidencia o pagamento de vantagem indevida. É importante distinguir o que está provado do que é interpretação: o valor é o total de depósitos sem origem declarada; a conclusão de que se trata de propina é a leitura do órgão, acolhida pela juíza para efeito de medida cautelar e ainda não submetida ao contraditório.
A decisão também atribui a ele a etapa anterior da fraude. Quatorze dias antes da assinatura do Contrato 42/2022 com a Prefeitura de Nioaque, Vagner teria enviado por e-mail à clínica uma planilha que já continha os valores que a empresa deveria apresentar como cotação. Os números devolvidos vieram idênticos, com diferença apenas nos totais, porque a planilha do secretário fora calculada para 12 meses, o dobro da vigência de seis meses do contrato.
CARGO EM JARDIM
O cargo que ele ocupava em Jardim até 1º de agosto era o de assessor governamental DAS-2, na Secretaria de Governo e Gestão Estratégica, segundo a portaria de exoneração.
A reportagem apurou que, em junho deste ano, ele assinava documentos da administração municipal de Jardim como Coordenador de Licitações, Contratos, Compras e Planejamento, função ligada exatamente à área em que, segundo o Ministério Público, atuava o esquema investigado em Nioaque.
Jardim é a cidade onde fica a sede da clínica investigada e onde a primeira fase da Operação Auditus cumpriu mandados de busca e apreensão em 1º de julho do ano passado. Também é onde Vagner está cadastrado como residente.
A reportagem do InvestigaMS detalhou que vinte e cinco dias depois de a Justiça decretar, em segredo, a prisão preventiva dele, o ex-secretário municipal de Governo de Nioaque Vagner Alves Ribeiro Guimarães, parou de aparecer no emprego que mantinha na Prefeitura de Jardim. Faltou os cinco dias úteis de 27 a 31 de julho, teve o desconto dos vencimentos determinado por portaria e, na sequência, foi exonerado do cargo comissionado que ocupava, com efeito retroativo a 1º de agosto.
Doze dias depois, quando o Ministério Público deflagrou a segunda fase da Operação Auditus, ele era um dos cinco com mandado de prisão a cumprir. A sequência está documentada em duas portarias da Prefeitura de Jardim publicadas no Diário Oficial do município.
A primeira portaria é do dia 3 de agosto e determina descontar do vencimento do servidor os dias em que faltou ao serviço “sem motivo justificado”.
As faltas são registradas entre 27 e 31 de julho de 2026. No dia seguinte, 4 de agosto, uma nova portaria exonera o servidor. O ato tem efeitos retroativos a 1º de agosto. Ambas as portarias são assinadas pelo prefeito Juliano da Cunha Miranda, o Guga (PP).
DECISÃO DE 7 DE JULHO
A decisão do Núcleo de Garantias do Tribunal de Justiça que determinou a prisão preventiva de Vagner e de outras quatro pessoas foi assinada pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna e liberada nos autos em 7 de julho, quase três semanas antes da primeira falta ao serviço.
LICITAÇÕES SOB SUSPENSÃO
Em 22 de janeiro deste ano, o Tribunal de Contas do Estado determinou a suspensão imediata de dois procedimentos licitatórios da Prefeitura de Jardim, que somavam R$ 6.694.253,67: o Pregão Eletrônico nº 001/2026, de transporte escolar rural, e a Concorrência nº 09/2025, para construção de um Centro de Atenção Psicossocial.
Entre as irregularidades apontadas pela equipe técnica do TCE-MS no pregão do transporte estavam pesquisa de preços baseada em contrato de 2020, um documento de “orçamento base” anexado ao processo sem valores preenchidos e ausência de cota reservada a micro e pequenas empresas.
A reportagem não confirmou se Vagner Alves Ribeiro Guimarães participou da instrução desses dois processos. A informação foi solicitada à Prefeitura de Jardim.
SONHO AMERICANO
Segundo informações obtidas pela reportagem junto a fontes ligadas à investigação, Vagner não foi localizado pelas equipes do Gecoc e do Gaeco no dia da operação e teria deixado o país, com destino aos Estados Unidos.
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