Servidora que foi alvo de busca por sacar R$ 575 mil afirma que foi vítima e nega relação com função pública

A defesa de Tatiana Rodrigues de Souza divulgou uma nota à imprensa após ser alvo de busca na Operação Antidotum.

Na nota, a defesa alega que os fatos investigados pelo Gecoc não possuem relação com as atribuições profissionais exercidas por Tatiana ou com o desempenho de sua função pública na Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul – AGEMS.

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“A menção reiterada ao local de trabalho, cargo e remuneração da servidora pode induzir o público à equivocada compreensão de que os acontecimentos possuiriam alguma vinculação com o exercício de sua função pública ou com a própria Agência, o que não corresponde à realidade sustentada pela defesa”.

A defesa afirma que Tatiana está à disposição das autoridades competentes e apresentará, pelos meios processuais adequados, todos os esclarecimentos e elementos probatórios necessários à completa compreensão dos fatos, inclusive quanto às circunstâncias que demonstram sua condição de vítima no contexto investigado.

“Importante registrar que investigação não se confunde com condenação, devendo ser preservados o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência”, diz a nota.

O nome de Tatiana Rodrigues de Souza, consta em investigação do Gecoc, que realizou busca na casa dela.  Segundo a investigação, a servidora sacou R$ 575.380,00 em oito operações, quatro delas de R$ 100 mil. 

O Caso

Quebra de sigilo mostra saques em série de R$ 49.999, um real abaixo do limite de comunicação ao Coaf, feitos por oito pessoas ligadas ao dono da Redvalue; MP fala em lavagem de dinheiro.

A conta da Redvalue Tecnologia, que recebeu pelo menos R$ 1,7 milhão da Santa Casa de Campo Grande desde 2025, “não era utilizada para custear uma estrutura empresarial compatível com o contrato milionário”, afirma o Ministério Público na representação que resultou na Operação Antidotum. 

“Funcionava como conta de passagem, os valores ingressavam e, logo em seguida, eram retirados em espécie ou transferidos para empresas e pessoas físicas vinculadas ao núcleo comandado por Maurício Aparecido Benites.”

A análise, feita com base na quebra dos sigilos bancário e fiscal autorizada em outro processo cautelar, identificou um padrão: dezenas de saques e transferências de exatamente R$ 49.999, valor um real inferior ao patamar de R$ 50 mil a partir do qual os bancos são obrigados a comunicar operações em espécie ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

Oito pessoas físicas aparecem retirando dinheiro das contas da Redvalue, da EXBE e de Benites entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026. O maior volume é de Alípio Carlos de Brito, com R$ 2.197.061 milhões em 48 operações; seu filho, Claudinei Simioli de Brito, também recebeu transferências “que totalizaram valores milionários”, segundo a peça. 

Geraldo Afonso de Andrade Júnior, cujo currículo foi encontrado nos arquivos digitais de Benites, sacou R$ 955.583 em 23 operações, dez delas de R$ 49.999 em setembro, outubro e novembro de 2025. 

Valdenir Rogério Cardoso, empregado da EXBE com salário de R$ 2.400, fez 16 saques que somam R$ 676 mil. Jean Carlos da Silva Macedo, diretor de tecnologia da Redvalue e ao mesmo tempo empregado da EXBE, sacou R$ 49 mil.

Três são servidores públicos. Márcio de Melo Hamana, lotado na Secretaria Municipal de Administração e Inovação de Campo Grande, fez 17 saques entre outubro de 2024 e março de 2025, num total de R$ 761.999, a maioria de R$ 49 mil. 

Aleida Resende Alves Gonçalves Moreno, da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), recebeu dois Pix e fez dois saques que somam R$ 211.989 em abril e maio de 2025, exatamente quando a Santa Casa preparava o primeiro pagamento à Redvalue. Márcio Juvanio da Silva sacou R$ 129.999 em três operações no fim de 2025.

Nota da defesa na íntegra:

NOTA PÚBLICA DE ESCLARECIMENTO À IMPRENSA A defesa de Tatiana Rodrigues de Souza, diante das matérias recentemente veiculadas por diferentes meios de comunicação, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos.

As publicações têm associado o nome de Tatiana a uma investigação em andamento, expondo, inclusive, seu vínculo funcional com a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul – AGEMS, sua condição de servidora pública e informações referentes à sua remuneração. É indispensável esclarecer que os fatos investigados não possuem relação com a AGEMS, com as atribuições profissionais exercidas por Tatiana ou com o desempenho de sua função pública.

 A instituição em que trabalha é absolutamente alheia à situação objeto da investigação. A menção reiterada ao local de trabalho, cargo e remuneração da servidora pode induzir o público à equivocada compreensão de que os acontecimentos possuiriam alguma vinculação com o exercício de sua função pública ou com a própria Agência, o que não corresponde à realidade sustentada pela defesa.

Tatiana está à disposição das autoridades competentes e apresentará, pelos meios processuais adequados, todos os esclarecimentos e elementos probatórios necessários à completa compreensão dos fatos, inclusive quanto às circunstâncias que demonstram sua condição de vítima no contexto investigado.

Importante registrar que investigação não se confunde com condenação, devendo ser preservados o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência. A defesa respeita a liberdade de imprensa e o legítimo exercício da atividade jornalística. Contudo, diante da repercussão alcançada, solicita aos veículos de comunicação cautela na contextualização das informações e especial atenção para que não seja estabelecida associação indevida entre os fatos investigados e a atividade profissional de Tatiana ou a AGEMS. Reitera-se: a situação investigada encontra-se em segredo de justiça e possui natureza pessoal e não guarda relação com o exercício das funções de Tatiana na AGEMS, tampouco com qualquer atividade institucional da Agência.

Os fatos serão devidamente esclarecidos perante as autoridades competentes, no momento e pelos instrumentos processuais adequados.

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