Gaeco pede a condenação de 23 denunciados e expulsão de 10 policiais na Operação Infiltrados; advogado que foi preso é solto

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) solicitaram a condenação de 23 pessoas na Operação Infiltrados, que investiga integrantes da polícia em esquema de desvio de drogas apreendidas para revenda a traficantes.

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Os promotores ainda solicitam pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, bem como a demissão dos policiais envolvidos, justificando que os crimes são grave ofensa à moralidade pública.

O pedido de exoneração atinge o delegado Hoffman D’Ávila Cândido, os policiais Augusto Torres Galvão Florindo, Douglas Tobias, Luiz Carlos de Souza, Marcos André Santos Chaves, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos, Roberto Palmeira da Silva; além do policial penal Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos. Augusto já foi expulso da polícia, mas o Gaeco pede saída na esfera criminal também.

Além dos policiais, também foram denunciados: Lucas da Silva dos Santos, Ana Carolina da Silva dos Santos, Carlos Alberto Alves Fonseca, Eberth Batista de Almeida, Francisco Cristiano Ribeiro Soares, Jéssica da Silva dos Santos, Kyon Lucas Leodoro da Silva, Lavinia Carvalho da Luz, Matheus Gabriel Machado Bezerra, Paulo Sérgio Alves Duarte, Rayane Luiz Vieira, Valdenice da Silva Góes e Wesley Benite Matos Pereira.

A acusação, assinada pelos Antenor Ferreira de Rezende Neto,  Eduardo de Araujo Portes Guedes, Gerson Eduardo de Araujo e Tiago Di Giulio Freire aponta crimes de  organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e violação de sigilo funcional.

Advogado ganha liberdade

Ontem, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a liberdade ao advogado Amilton Ferreira de Almeida. Ele foi preso no dia 29 de setembro, denunciado por uma conversa que teve com o cliente, o delegado Hoffman, durante a operação.

Os promotores alegaram que o advogado teria vazado informações da operação que tinha o cliente dele. Hoffman não foi localizado no dia da operação do Gaeco. Ele saiu de casa por volta de 5 horas da manhã, antes da chegada da polícia. Se entregou apenas no período da tarde.

Operação Infiltrados

A Operação Infiltrados cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão nos Municípios de Campo Grande, Dourados e Terenos.

As investigações foram iniciadas em outubro de 2025, a partir de provas descobertas nas Operações do Traquetos e Blindspot, ambas do Gaeco, revelando participação de vários policiais em um grandioso esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína.

“O modus operandi adotado pela organização criminosa consiste no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão, nos registros formais, de parte da droga efetivamente arrecadada; seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia. A droga desviada é então repassada para traficantes ligados à organização criminosa, os quais são responsáveis por reintroduzir o estupefaciente no mercado ilícito”, diz nota do Gaeco.

Segundo o Gaeco, os policiais que integram a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para, em completa subversão de seus deveres funcionais, atuar como verdadeiros fornecedores para o tráfico.

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