Partido tem o candidato mais rico do estado, Reinaldo Azambuja, com R$ 56 milhões, e metade dos dez maiores patrimônios. O PSDB, que governou MS por dez anos, fica com 10,8%.
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O PL reúne R$ 188,3 milhões dos R$ 293,2 milhões em bens declarados pelos candidatos de Mato Grosso do Sul às eleições de outubro até o momento. Isso representa 64,2% de toda a riqueza informada à Justiça Eleitoral no estado.
Os dados constam do sistema DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral, consultado até esta terça-feira, 4 de agosto.
O primeiro colocado é o ex-governador Reinaldo Azambuja, candidato ao Senado, que declarou R$ 55,98 milhões. Sozinho, ele responde por 19,1% de tudo o que foi declarado até o momento.
Atrás do PL vem o PP, com apenas três candidatos e R$ 38,4 milhões, ou 13,1%. O PSDB, partido pelo qual Azambuja governou o estado entre 2015 e 2022, aparece com 31 registros e R$ 31,6 milhões, 10,8% do total.
Os três partidos de direita que comandam o Estado é formado, pelo seu alto claro, de milionários. O prazo para partidos, federações e coligações requererem o registro de candidaturas só se encerra às 19h de 15 de agosto. Em 2022, MS teve 559 pedidos de registro para os mesmos cargos.
O topo e a base
Atrás de Azambuja vêm o deputado estadual Zé Teixeira (PL), com R$ 45,77 milhões, e o também deputado estadual Paulo Corrêa (PL), com R$ 21,30 milhões. Os três somam 42% de todo o patrimônio declarado no estado. Os dez maiores concentram 75,3%.
Na outra ponta, 32 candidatos declararam não possuir bem algum. Outros nove declararam menos de R$ 100 mil. O menor patrimônio diferente de zero é o de Nelson Lords (PSDB), candidato a deputado estadual, com R$ 4.240,00 em um único bem. A metade inferior da lista, 54 candidatos, soma 0,91% do total.
Terra, gado e milho
O patrimônio declarado em MS é, sobretudo, rural. Azambuja lista 3.343 cabeças de bovinos, a R$ 4 mil cada, no valor de R$ 13,37 milhões; R$ 8,5 milhões em “bens relacionados ao exercício da atividade rural”; R$ 6,5 milhões em benfeitorias; 80 mil sacas de milho a R$ 50 cada, somando R$ 4 milhões; e uma aeronave Piper PA-34-220T avaliada em R$ 1,25 milhão.
Zé Teixeira, aos 86 anos o candidato mais velho do estado, concentra o seu em imóveis rurais em Terenos (R$ 12,3 milhões) e Dois Irmãos do Buriti (R$ 12,2 milhões em duas propriedades). No agregado dos 600 bens declarados, as maiores rubricas são “outros bens imóveis” (R$ 65,9 milhões), “outros bens e direitos” (R$ 37,6 milhões), “bem relacionado com o exercício da atividade autônoma” (R$ 24,8 milhões) e terrenos (R$ 21,3 milhões).
Entre os 20 maiores patrimônios, apenas Eduardo Riedel declarou o cargo que ocupa como ocupação. Azambuja se define como “produtor agropecuário”; Zé Teixeira e o deputado federal Rodolfo Nogueira, como “pecuarista”; Paulo Corrêa, como “engenheiro”; Barbosinha, como “advogado”.
O governador Eduardo Riedel, que disputa a reeleição, registrou candidatura pelo PP e declarou R$ 16,15 milhões. É o sexto maior patrimônio do estado.
Vice declara mais que governador
Seu vice, Barbosinha, agora no Republicanos, declarou R$ 17,32 milhões e aparece uma posição acima dele, em quinto. Barbosinha foi eleito vice-governador em 2022 pelo PP.
As duas declarações se movem em direções opostas desde a última eleição. Riedel declarava R$ 20,74 milhões em 2022 e informa agora R$ 4,60 milhões a menos, queda nominal de 22,2%. Barbosinha declarava R$ 11,00 milhões e subiu R$ 6,32 milhões, alta de 57,5%.
Barbosinha, advogado, declara 41 bens, entre eles a Fazenda Nossa Senhora Aparecida em Aquidauana (R$ 4 milhões), lotes em Campo Grande e Dourados e R$ 1,57 milhão em aplicações financeiras.
Aumento de patrimônio
Dezoito dos candidatos que já haviam disputado uma eleição declararam neste ano patrimônio mais de duas vezes maior do que o informado na última vez em que concorreram. As maiores altas em valor absoluto são de parlamentares no exercício do mandato.
O deputado estadual Marcio Fernandes (PL) declarou R$ 6.223.526,07 ao ser eleito em 2022 e declara agora R$ 13.719.636,19 — R$ 7,50 milhões a mais, alta de 120,4%. É a maior variação absoluta do estado.
Logo atrás vem Paulo Corrêa (PL), também deputado estadual, que passou de R$ 14.092.614,23 para R$ 21.298.666,96 — mais R$ 7,21 milhões, ou 51,1%.
O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL) subiu R$ 5,69 milhões, de R$ 7,76 milhões para R$ 13,45 milhões (73,3%). Mara Caseiro (PL), eleita deputada estadual em 2022 e agora candidata à Câmara, mais que dobrou: de R$ 2,58 milhões para R$ 6,19 milhões (140,1%).
A migração que redesenhou o mapa
Dos 89 candidatos com histórico eleitoral, 38, ou 42,7%, disputam por partido diferente da última candidatura. O fluxo leva junto os maiores patrimônios do estado.
Azambuja saiu do PSDB, pelo qual foi eleito governador em 2014 e 2018. Zé Teixeira, segundo maior patrimônio de MS, e Paulo Corrêa, terceiro, também vieram do PSDB para o PL, assim como a deputada Mara Caseiro e o ex-prefeito de Corumbá Odilon Ribeiro. Marcio Fernandes veio do MDB;
Capitão Contar e Angelo Marcon, do PRTB; Giroto, do então PMDB.
Homens declaram 4,5 vezes mais que mulheres
Os 69 homens da lista declararam R$ 270,6 milhões, ou 92,3% do total; as 39 mulheres, R$ 22,6 milhões.
Por cor ou raça autodeclarada, os 55 candidatos brancos concentram 76,3% do patrimônio, com mediana de R$ 885,5 mil; os 40 pardos têm mediana de R$ 60,5 mil; os cinco candidatos indígenas somam R$ 30 mil, 0,01% do total, com mediana zero.
Quanto cada um pode gastar?
O TSE manteve para 2026 os mesmos limites de 2022: R$ 3.176.572,53 para deputado federal e senador em MS, R$ 1.270.629,01 para deputado estadual e R$ 6.226.082,16 para governador no primeiro turno.
Até a tarde de 4 de agosto havia duas chapas registradas ao governo de Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP) e Barbosinha (Republicanos), pela coligação “Fazendo o Futuro Acontecer”; e Lucien Rezende (PSOL) e a vice Prof. Enfermeira Kaelly (PSOL), pela federação PSOL/Rede, com R$ 500 mil e R$ 115 mil declarados.
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