A Prefeitura de Bela Vista divulgou uma nota após a reportagem informar que a clínica alvo da Operação Auditus negociava para levar o esquema de Nioaque a Bela Vista e Guia Lopes.
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A prefeitura , hoje administrada por Gabriel Boccia, afirmou que a empresa mencionada (Prontomed de Jardim) não possui e nunca possuiu contra com o Município de Bela Vista; jamais prestou serviços à prefeitura e não recebeu pagamentos dos cofres públicos municipais.
“Não houve busca e apreensão na sede da Prefeitura, em suas Secretarias ou dependências administrativas. Eventuais contatos, conversas de terceiros ou tratativas em apuração não significam contratação, prestação de serviços ou pagamento de recursos públicos à empresa investigada. A Administração Municipal não realizou qualquer serviço ou contratação com os investigados”, diz o texto divulgado pela prefeitura.
Na nota, a gestão de Boccia ainda fala sobre os dois servidores que foram alvos de busca e apreensão pelo Gecoc.
“Jameire Santos: a Prefeitura reafirma seu respeito à sua honra e trajetória e agradece pelos serviços prestados ao Município durante o período em que esteve à frente da Secretaria Municipal de Saúde. São assegurados seu direito à presunção de inocência, à ampla defesa e ao contraditório. Alexandre Zamboni: atual secretário municipal de Fazenda, também tem assegurados o direito à presunção de inocência, à ampla defesa, ao contraditório e à preservação de sua honra”, diz a nota.
Exonerada
Jameire foi exonerada nesta sexta-feira. Ela foi secretária até setembro do ano passado. Atualmente, ocupava a função de coordenados de divisão de alfa complexidade.
A prefeitura diz ainda que não teve acesso aos dados e elementos da investigação relacionados a Bela Vista.
“A Administração aguarda essas informações para compreender integralmente os fatos e avaliar eventuais providências. A Prefeitura permanece à disposição das autoridades e colaborará com todos os esclarecimentos solicitados. Bela Vista merece verdade, transparência, responsabilidade e respeito. Caso sejam comprovadas irregularidades envolvendo servidores, serão adotadas as medidas cabíveis, sempre respeitando o devido processo legal e defendendo o interesse público”, encerra.
Investigação em Bela Vista
O esquema que o Ministério Público apura em Nioaque não parou na troca de prefeitos. Segundo a investigação e a decisão que autorizou a segunda fase da Operação Auditus, ele estava sendo oferecido a outros dois municípios de Mato Grosso do Sul.
A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna afirma que as atividades da organização criminosa “não cessaram com a troca dos agentes públicos que sucederam após as eleições municipais” e que o grupo “continua em plena atuação neste ano de 2026”.
A abordagem a Bela Vista começou em 4 de dezembro de 2024, antes mesmo da posse da nova gestão. Naquele dia, segundo a decisão, a gerente administrativa da Prontomed, Tatiane Barbosa de Souza Grubert, mandou mensagem ao investigado Rodrigo Valencio Onofre perguntando se ele conhecia “Alexandre Zamboni”. Disse que pretendia vender os serviços da clínica à Prefeitura de Bela Vista.
Zamboni assumiria a Secretaria Municipal de Fazenda do município em 1º de janeiro de 2025.
Rodrigo confirmou conhecê-lo. Tatiane, então, afirmou lembrar dele, “haja vista que fazia parte de esquemas ilegais”, registra a decisão.
Ela procurou Zamboni e fez a proposta “nos mesmos termos do esquema operado em Nioaque”. Segundo o Ministério Público, a proposta foi aceita.
Seis dias depois da posse, em 7 de janeiro de 2025, Tatiane Grubert pediu o agendamento de uma reunião com Zamboni ou com a secretária municipal de Saúde de Bela Vista, Jameire Luzia Francisca dos Santos, para apresentar as propostas da Prontomed no município.
Para o Ministério Público, Jameire e Zamboni “concordaram com a fraude e direcionamento do processo licitatório em benefício da empresa”. A decisão afirma que Tatiane chegou a orientar a secretária de Saúde sobre como conduzir o processo administrativo para garantir o êxito da clínica.
O método seria o mesmo de Nioaque: manipulação de documentos e ajuste prévio de atos administrativos para direcionar o certame
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