Auditus: ex-secretário abandonou cargo semanas antes de operação do Gecoc e foi para os EUA

O ex-secretário de Governo do Município de Nioaque, Vagner Alves Ribeiro Guimarães, está foragido. Ele era um dos alvos de mandado de prisão da Operação Auditus, mas está nos Estados Unidos.


Vinte e cinco dias depois de a Justiça decretar, em segredo, a prisão preventiva dele, o ex-secretário municipal de Governo de Nioaque Vagner Alves Ribeiro Guimarães parou de aparecer no emprego que mantinha na Prefeitura de Jardim. Faltou os cinco dias úteis de 27 a 31 de julho, teve o desconto dos vencimentos determinado por portaria e, na sequência, foi exonerado do cargo comissionado que ocupava, com efeito retroativo a 1º de agosto.

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Doze dias depois, quando o Ministério Público deflagrou a segunda fase da Operação Auditus, ele era um dos cinco com mandado de prisão a cumprir.
A sequência está documentada em duas portarias da Prefeitura de Jardim publicadas no Diário Oficial do município.


A primeira portaria é do dia 3 de agosto e determina descontar do vencimento do servidor os dias em que faltou ao serviço “sem motivo justificado”.
As faltas são registradas entre 27 e 31 de julho de 2026. No dia seguinte, 4 de agosto, uma nova portaria exonera o servidor. O ato tem efeitos retroativos a 1º de agosto. Ambas as portarias são assinadas pelo prefeito Juliano da Cunha Miranda, o Guga (PP).

DECISÃO DE 7 DE JULHO


A decisão do Núcleo de Garantias do Tribunal de Justiça que determinou a prisão preventiva de Vagner e de outras quatro pessoas foi assinada pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna e liberada nos autos em 7 de julho, quase três semanas antes da primeira falta ao serviço.


Vagner Alves Ribeiro Guimarães ocupava a Secretaria Municipal de Governo de Nioaque no período em que, segundo o Ministério Público, a organização criminosa direcionava licitações de saúde à clínica Prontomed, hoje registrada como Policlínica Rota Bioceânica.


De acordo com a investigação do MPMS, que iniciou a segunda fase da Operação Auditus, foram identificados na conta bancária dele depósitos sucessivos em espécie que somam R$ 936 mil, sem qualquer identificação de origem. Os depósitos ocorriam após saques em dinheiro feitos pelos donos da clínica e pela gerente administrativa, muitos deles logo depois de a Prefeitura de Nioaque pagar as faturas da empresa.


Para o Ministério Público, a compatibilidade “pela forma, periodicidade e montantes” com os saques anteriores revela “nítido nexo temporal, financeiro e operacional” e evidencia o pagamento de vantagem indevida. É importante distinguir o que está provado do que é interpretação: o valor é o total de depósitos sem origem declarada; a conclusão de que se trata de propina é a leitura do órgão, acolhida pela juíza para efeito de medida cautelar e ainda não submetida ao contraditório.


A decisão também atribui a ele a etapa anterior da fraude. Quatorze dias antes da assinatura do Contrato 42/2022 com a Prefeitura de Nioaque, Vagner teria enviado por e-mail à clínica uma planilha que já continha os valores que a empresa deveria apresentar como cotação. Os números devolvidos vieram idênticos, com diferença apenas nos totais, porque a planilha do secretário fora calculada para 12 meses, o dobro da vigência de seis meses do contrato.

CARGO EM JARDIM


O cargo que ele ocupava em Jardim até 1º de agosto era o de assessor governamental DAS-2, na Secretaria de Governo e Gestão Estratégica, segundo a portaria de exoneração.


A reportagem apurou que, em junho deste ano, ele assinava documentos da administração municipal de Jardim como Coordenador de Licitações, Contratos, Compras e Planejamento, função ligada exatamente à área em que, segundo o Ministério Público, atuava o esquema investigado em Nioaque.


Jardim é a cidade onde fica a sede da clínica investigada e onde a primeira fase da Operação Auditus cumpriu mandados de busca e apreensão em 1º de julho do ano passado. Também é onde Vagner está cadastrado como residente.

LICITAÇÕES SOB SUSPENSÃO


Em 22 de janeiro deste ano, o Tribunal de Contas do Estado determinou a suspensão imediata de dois procedimentos licitatórios da Prefeitura de Jardim, que somavam R$ 6.694.253,67: o Pregão Eletrônico nº 001/2026, de transporte escolar rural, e a Concorrência nº 09/2025, para construção de um Centro de Atenção Psicossocial.


Entre as irregularidades apontadas pela equipe técnica do TCE-MS no pregão do transporte estavam pesquisa de preços baseada em contrato de 2020, um documento de “orçamento base” anexado ao processo sem valores preenchidos e ausência de cota reservada a micro e pequenas empresas.
A reportagem não confirmou se Vagner Alves Ribeiro Guimarães participou da instrução desses dois processos. A informação foi solicitada à Prefeitura de Jardim.


SONHO AMERICANO


Segundo informações obtidas pela reportagem junto a fontes ligadas à investigação, Vagner não foi localizado pelas equipes do Gecoc e do Gaeco no dia da operação e teria deixado o país, com destino aos Estados Unidos.

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