Foi o tempo que governadores disfarçavam a intromissão na escolha da mesa diretora na Assembleia Legislativa. Na atual composição em Mato Grosso do Sul, ninguém esconde que a eleição passará pela vontade dos líderes do grupo: Eduardo Riedel (PP) e Reinaldo Azambuja (PL).
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Vários deputados já ligaram para Reinaldo e Riedel para perguntarem como será a condução, mas a dupla tem usado o segundo turno da eleição para ganhar tempo, avisando que a missão é eleger Flávio Bolsonaro (PL) presidente.
A resposta adia, mas não aquieta os bastidores, onde deputados conversam diariamente sobre a nova composição da mesa.
Disputa de líderes
Reinaldo Azambuja sempre teve peso nas decisões envolvendo deputados e agora tem ainda mais força. O PL, partido onde é presidente estadual, elegeu nove dos 24 deputados. Além disso, ele é muito próximo de outros deputados eleitos: a exemplo, os ex-prefeitos: Hélio Peluffo (PP), Ângelo Guerreiro (PSDB) e Odilon Ribeiro (PL).
Com influência, Reinaldo será decisivo, mas Riedel precisará de uma participação maior nesta construção. O governador precisará adotar algumas medidas pouco populares no segundo mandato e precisará de um diálogo maior com deputados.
A expectativa é de que a nova legislatura seja um pouco mais crítica que a passada, o que obrigará o governo a ter um diálogo maior com os deputados.
Na atual legislatura, alguns deputados reclamaram da pouca participação no governo, mas apenas Zé Teixeira publicitou a insatisfação. Tudo foi contornado e Riedel não teve problemas com a base.
Por enquanto, Riedel continuará tendo o mesmo número de aliados na Casa. Apenas o quarteto do PT deve fazer oposição. Na atual, são três do PT e João Henrique Catan (PL).
Com quatro, o PT terá relevância maior que a atual. O quarteto garante uma bancada e a possibilidade de barrar tramitações em regime de urgência, que necessitam de acordo de lideranças.
Outros 20 deputados foram eleitos na coligação de Riedel e esses primeiros dias, já na construção da presidência, podem ser decisivos para a temperatura da Casa na legislatura seguinte.
Interessados
O deputado Paulo Corrêa (PL), hoje primeiro-secretário, é o que faz campanha mais direta. No dia seguinte a eleição já começou a ligar para deputados pedindo voto. Nem o concorrente, Coronel David (PL), ficou fora da lista. Nesta ligação, ouviu um pedido de voto de David, informando que também disputaria a presidência.
David recuou na eleição passada, mas avisou o grupo que não abriria mais mão de uma disputa futuramente e tem conversado com deputado nesta construção.
Outros dois deputados demonstram interesse, mas aguardam sinalização de Riedel e Reinaldo: Pedro Caravina (PSDB) e Zé Teixeira (PL).
Atual presidente, Gerson Claro (PP) não pode concorrer pela presidência e está de olho na primeira-secretaria, sem concorrentes no momento. Quem pode enfrentá-lo neste corrida é o deputado Zé Teixeira, que já confidenciou a colegas que esta seria uma opção interessante.
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